“Tinta de Limão”, da autoria da Associação de Jovens Ecos Urbanos, foi um dos 232 projetos aprovados a nível nacional 

A candidatura da Associação de Jovens Ecos Urbanos (AJEU) ao Programa Bairros Saudáveis foi uma das 750 admitidas e uma das 232 aprovadas a nível nacional. De S. João da Madeira foram, ao todo, quatro projetos apresentados, mas apenas o “Tinta de Limão”, da autoria da Ecos Urbanos, venceu. Ficou em 158º lugar com um total de 79,5 pontos e sendo financiado a 100% na sua execução.

O nome – “Tinta de Limão”- não foi escolhido por acaso. Questionada sobre o porquê desta escolha, a presidente da direção da AJEU esclareceu que, “tal como o processo de encriptação de tinta invisível, o trabalho de intervenção social pelas artes é visível durante o tempo de ação, deixando posteriormente um lastro invisível, decifrável entre os participantes”.

Rita Pereira disse ainda que a ideia, com o “Tinta de Limão”, “é potenciar o trabalho prévio da associação com as comunidades residentes nos complexos de habitação social de Fundo de Vila/Orreiro e Parrinho/Mourisca, através de uma intervenção artística e social pluridisciplinar”. Se bem que o foco será o Bairro do Orreiro.

Com início previsto para maio, projeto prevê oficinas de expressão artística, um grupo de mediação parental e ainda um Clube Agulha e Dedal 

Considerando o trabalho já realizado pela AJEU ao longo dos anos e com maior incidência nos últimos tês com o Projeto Habitus, a candidatura com o “Tinta de Limão” pretende, acima de tudo, potenciar a intervenção da associação sanjoanense com as comunidades residentes nos complexos de habitação social do concelho, através de uma intervenção artística e social pluridisciplinar que responde às diferentes necessidades e interesses dos diferentes públicos-alvo.

Com duração de oito meses e dispondo de cerca de 47.500 euros financiados, o projeto vencedor visa a dinamização de várias oficinas de expressão artística (para crianças e jovens dos seis aos 18 anos), um grupo de Mediação Jovem/Autarquia de Bairro (dos 12 aos 18 anos) e o desenvolvimento da Oficina das Emoções (dos seis aos 12 anos), para crianças e jovens das comunidades.

Será desenvolvido ainda um grupo de Mediação Parental, na forma de Teatro Fórum para crianças, jovens, adultos (população em idade ativa), mulheres, famílias, migrantes e pessoas com deficiência. E para a população idosa e pessoas no desemprego será criado um Clube Agulha e Dedal.

Não limitando a ação aos participantes diretos e de forma a valorizar o trabalho que vai sendo feito, a Ecos Urbanos quer ainda dinamizar um evento final comum, como forma de dar corpo ao que foi desenvolvido ao longo dos oito meses de execução do “Tinta de Limão”.

Para que seja possível concretizar este projeto, que iniciará já no próximo mês de maio, a associação conta com uma rede de parcerias locais, fundamentais para o seu sucesso, nomeadamente da câmara, empresa municipal Habitar S. João, Banco Local de Voluntariado de S. João da Madeira, Clube de Tricô do Orreiro, Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite e Junta de Freguesia de S. João da Madeira.

Arte como “um meio para tecer laços sociais”

Para Rita Pereira, “é muito bom” este resultado obtido pela candidatura da associação que lidera. “Alguém de fora perceber que conseguimos fazer a diferença na comunidade é muito positivo”, prosseguiu a líder diretiva, destacando as “parcerias locais” como “uma mais-valia” deste projeto.

“Tinta de Limão” mais não é do que a própria identidade da Ecos Urbanos, utilizando a arte como “um meio para tecer laços sociais”, acrescentou ainda Rita Pereira.

 

Em que consiste o Programa Bairros Saudáveis?

 

Bairros Saudáveis é um programa público, de natureza participativa, para melhoria das condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida em territórios vulneráveis de pequenas intervenções, através do apoio a projetos apresentados por associações, coletividades, organizações não governamentais, movimentos cívicos e organizações de moradores, em articulação com as autarquias, as autoridades de saúde ou demais entidades públicas. Visa sobretudo dar algum poder, no sentido de “poder fazer”, a comunidades residentes e pessoas ou organizações intervenientes em territórios vulneráveis.

Foi criado pela Resolução de Conselho de Ministros 52-A/2020, de 1 de julho, e vai vigorar até dezembro de 2021. 

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