Fundado a 14 de abril de 1957, o Dínamo Sanjoanense celebrou ontem o seu 64.º aniversário, data que, por força do momento que se vive, foi assinalada apenas com o hastear das bandeiras no monumento alusivo ao clube localizado na rotunda no Lugar da Ponte, em S. João da Madeira.

Será o segundo aniversário da coletividade em tempo de pandemia, mas a importância do momento “não poderia nunca passar despercebida”, pois para Paulo Moreira, presidente do Dínamo Sanjoanense, “é a história do clube que está em causa”. “Por causa das precauções exigidas pelas entidades competentes e pela segurança de todos, decidimos que este ano não faríamos nenhum jantar comemorativo. No entanto, teremos o hastear da bandeira para assinalar a data de forma simbólica”, explica o dirigente, que tem tido a difícil tarefa de gerir o clube numa altura em que as dificuldades acentuaram-se devido ao surto de Covid-19, que trouxe restrições a toda a atividade desportiva e em particular à formação. E foi precisamente aí que o Dínamo Sanjoanense, à semelhança de muitas outras coletividades, mais se ressentiu. Depois do cancelamento dos treinos e campeonatos na época passada, esta temporada os escalões de formação “praticamente e, infelizmente, não arrancaram”. Este foi um ano perdido para as equipas jovens do Dínamo Sanjoanense, mas Paulo Moreira recusa-se a baixar o braços e foca atenções na preparação do regresso à atividade. “Vamos tentar recomeçar o trabalho o mais rápido possível, tendo como principal objetivo trabalhar mais e melhor”, frisa o dirigente, que aponta como meta “colocar os escalões de formação que são de competição nos campeonatos nacionais”, bem como ter uma escola que permita “alimentar a equipa sénior com o maior número de atletas possível”. “Para mim, só este pensamento é que faz sentido reforçar e trabalhar em cima dele”, acrescenta Paulo Moreira.

E este ano foi inesquecível para o Dínamo Sanjoanense no que diz respeito ao plantel sénior. Pela primeira vez na sua história o clube chegou ao principal campeonato do futsal português, mas a presença entre os grandes foi de passagem e na próxima época a coletividade está de regresso à 2.ª Divisão Nacional.

Com um orçamento modesto e um plantel assente no amadorismo, a temporada acabou por ser de aprendizagem para o clube e dirigentes e a passagem pelo principal escalão do futsal nacional é, segundo o presidente, “condigna”. “Tivemos uma excelente participação e aprendizagem nesta primeira experiência na 1.ª Divisão Nacional e que nada nos envergonha. Muito pelo contrário”, sublinha Paulo Moreira, que reconhece que esta foi uma temporada ponderada. “Nas circunstâncias em que subimos e no ano em causa não mudaria nada”, garante o dirigente, assegurando que na próxima época o objetivo passa por “tentar lutar pelo lugar que dá acesso à subida de divisão”. “Neste novo formato da 2.ª Divisão, onde o campeonato será, com toda a certeza, muito mais competitivo, iremos dar o nosso melhor para tentar chegar novamente ao patamar maior do futsal em Portugal, mas num ano normal, sem o pais e o mundo mergulhados nesta crise causada pela pandemia. Porque esta passagem pela 1.ª Divisão Nacional soube a pouco e porque todas as pessoas que nos rodeiam e gostam de nós não tiveram oportunidade de o disfrutar. Isso deixa-me com uma tristeza muito grande”, explica Paulo Moreira.

64 anos de história e de sucesso

Hoje o Dínamo Sanjoanense é uma referência no distrito de Aveiro ao nível do futsal, mas as primeiras décadas da história do clube estiveram vocacionadas para o futebol.

No entanto, na década de 90 a coletividade viria a criar um equipa sénior para competir no que então era conhecido como Futebol de Salão. O percurso foi lento, mais aos poucos o Dínamo Sanjoanense foi-se impondo na modalidade e na época de 2001/2002 sagra-se campeão distrital e vence a Taça e a Supertaça de Aveiro.

A coletividade começava uma caminhada de sucesso no futsal e depois de em 2002/2003 ascender à 3.ª Divisão Nacional na época seguinte (2003/2004) avançava com a criação dos escalões de formação, arrancando com as equipas de infantis, iniciados e juvenis.

Desde então o Dínamo Sanjoanense tem tido um crescimento sustentado e em 2017/2018 dava mais um passo para a sua afirmação como um dos melhores clubes do distrito de Aveiro com a subida à 2.ª Divisão Nacional. Na época seguinte a equipa garantiu tranquilamente a manutenção para, um ano depois (2019/2020), alcançar um feito histórico para a coletividade com a ascensão ao principal escalão do futsal nacional.

Com uma equipa formada praticamente pelos mesmos jogadores que contribuíram para a subida de divisão, perante adversários extremamente apetrechados e com uma elevada percentagem de atletas estrangeiros, o Dínamo Sanjoanense, que não conseguiu a manutenção e na próxima temporada está de regresso ao escalão secundário.

Ao nível da formação a época de 2020/2021 esteve estagnada, mas na anterior a coletividade arrancou com 124 atletas inscritos, distribuídos por oito escalões, dos seniores aos traquinas, e mais de 40 pessoas a trabalharem para o normal funcionamento da coletividade.

Com 27 títulos distritais, Paulo Moreira define o Dínamo Sanjoanense como um clube com “um bonito passado e um futuro prometedor” e reconhece que uma das suas ambições é ver os seniores novamente no patamar desta época “e, se possível, ainda melhor”. E ainda que reconheça que “os títulos e conquistas não são o mais importante”, o dirigente admite que “são, porventura, sinais de progresso”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...