“Come Closer” é o nome da nova exposição do artista plástico José Rosinhas e pode ser visitada desde o dia 9 de abril na fábrica Viarco.

Enquanto monitor do Turismo Industrial teve de estudar a história da família, da fábrica e do fabrico não só da Viarco, como de outras empresas parceiras deste projeto da Câmara Municipal de S. João da Madeira. Sempre quis experimentar a residência que é possível fazer na única empresa produtora de lápis da Península Ibérica, mas nunca achou que devia misturar a função de monitor com a sua formação em pintura. Decidiu esperar. “Nunca achei que devia misturar essas águas e achava que a atitude mais correta era deixar correr a minha colaboração. Por motivos profissionais deixei de colaborar com o Município e passado um ano vim cá bater à porta para fazer a residência que era algo que queria há alguns anos”, contou José Rosinhas, durante a inauguração da sua mais recente exposição, ao labor.

Embora trabalhe em cultura na promoção e divulgação de outros artistas, desde fevereiro de 2020 decidiu que também não poderia se esquecer de si nem do seu trabalho enquanto pintor.

De uma residência de duas semanas, onde conseguiu fazer uma produção para várias exposições que vai ter ao longo do ano, surgiu a oportunidade de ficar como artista residente.

“Come Closer” apresenta 20 obras que valorizam “não só a grafite e o pigmento prensado, mas acima de tudo o cedro americano”, deu a conhecer o artista plástico. Não fosse o facto de o lápis ser feito de duas placas de cedro americano e a ligação da família paterna a este material com o avô a ter sido carpinteiro e com o pai a passar de uma carpintaria a uma fábrica.

A ideia da janela e da paisagem predomina em todas as obras da exposição de José Rosinhas. “Gosto muito do tema e do trabalho da paisagem. É olharmos para uma pintura e um desenho como se fosse uma janela através da qual podemos fazer várias observações e interpretações, mas acima de tudo pode ser um ponto de partida”, explicou o artista plástico ao nosso jornal.

O nome da exposição acabou por “assentar que nem uma luva” numa altura em que somos reféns de uma pandemia. “A parte do confinamento quer de março do ano passado, quer deste ano também, em que tivemos de ficar obrigatoriamente ou quase obrigatoriamente em casa, levou a  que observássemos o mundo através da nossa janela ou através do ecrâ, do televisor, seja do que for. Acho que foi o casamento certo a residência com o projeto da janela que já tinha começado noutros”, revelou José Rosinhas.

DR

Num momento em que somos obrigados a manter a distância, a conter os contactos, a reprimir os afetos, as janelas desta exposição pretendem ser “janelas de esperança” que desafiam o visitante a aproximar-se delas e a dar azo à imaginação. “Num momento de tanta tristeza, dor e sofrimento que o mundo está a passar, sem querer ferir suscetibilidades, se for possível espero que a janela dê um sinal de esperança, de alegria e um bocadinho de felicidade às pessoas. Acho que isto é importante”, assumiu o artista plástico ao labor.

Ao longo da conversa com o nosso jornal, José Rosinhas disse por mais do que uma vez o quanto gosta da Viarco, das empresas do Turismo Industrial e da cidade de S. João da Madeira. “Não sou de cá, mas adoro esta cidade. Sempre me trataram muito bem”.

Desde 2008 que a Viarco criou um atelier que tem a função de proporcionar condições de trabalho aos artistas. “É sempre um gosto muito grande que apresentem o trabalho que desenvolveram seja cá ou noutro local”, afirmou José Vieira, administrador da Viarco, ao labor, demonstrando a importância dos trabalhos estarem expostos na fábrica porque “permite-nos desanuviar de questões de trabalho, negócio e produção e, ao mesmo tempo, perceber efetivamente a função dos produtos para quem trabalhamos”.

Para Alexandra Alves, responsável pelo projeto de Turismo industrial, “é um orgulho poder dar palco a um artista como o José Rosinhas que foi um excelente monitor. No fundo é o resultado do que o Turismo Industrial proporciona que é descobrir novos espaços, neste caso espaços industriais, que permitem a intervenção artística também dentro das suas salas”.

A exposição “Come Closer” de José Rosinhas pode ser visitada até ao dia 9 de junho na fábrica Viarco.

Até ao fim do ano

Exposições de José Rosinhas

“Come Closer”, Fábrica Viarco, de 9 de abril até 9 de junho

O Corpo da Cruz, Museu dos Cristos de Sousel, de 24 abril a 31 de maio

“Landscape windows”, Casa da Cultura de Paredes, de 8 a 31 de maio

Lembra-te, Tribunal da Relação do Porto, de 2 a 30 julho

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