“Parece que o tempo não passou e que foi ontem que fotografei o 25 de Abril”, revelou o fotógrafo ao labor

“A Liberdade passou por Aqui” é o nome da exposição fotográfica de Alfredo Cunha. Um dos mais conceituados fotojornalistas portugueses e aquele que ficará na história como o fotógrafo do 25 de Abril.
Organizada pelo Centro de Arte de S. João da Madeira, em parceria com a Câmara e Assembleia Municipais, a inauguração da exposição terá lugar este domingo, dia 25 de abril, pelas 11h30, na Torre da Oliva.
O próprio autor escolheu 60 fotografias, de um conjunto de cerca de 600, captadas durante a revolta militar de 25 de Abril de 1974. “São imagens ampliadas a partir de negativos de 35 milímetros, algumas delas, para um metro e 20. O próprio Alfredo ficou admiradíssimo e deslumbrado com as imagens porque nunca as tinha visto daquela maneira”, revelou Aníbal Lemos, diretor do Centro de Arte, ao labor, que tinha a ideia de fazer um ciclo de exposições dedicado à fotografia de reportagem com figuras proeminentes da mesma a nível nacional. Os entraves colocados pela pandemia e pela inexistência de um espaço definido onde o Centro de Arte possa fazer exposições foram adiando
os seus planos. Até então. “Trata-se de uma exposição inédita, na qual as imagens se apresentam impressas em grande formato, cuja escala lhes amplia a afirmação do testemunho e da vivência do autor, na primeira pessoa, da sucessão de acontecimentos da Revolução de Abril”, considera Aníbal Lemos, que também é fotógrafo,
professor e investigador em fotografia.
Para o diretor do Centro de Arte, “o fotógrafo, que visivelmente se posiciona do lado certo da história, informa-nos, através do seu ´olhar´ fotográfico, o posicionamento e a progressão militar, exaltada pela imediata adesão popular, que conduziu à vitória”.
E ninguém melhor do que o próprio fotógrafo Alfredo Cunha para falar sobre as fotografias que deram origem à exposição “A Liberdade passou por Aqui”.
“Parece que o tempo não passou e que foi ontem que fotografei o 25 de Abril. Na altura, foi um privilégio fotografar uma revolução precisamente aos 20 anos. Hoje acho que devia ter sido mais tarde, sempre que revejo estes negativos, sinto que gostaria de regressar a 74, fotografar tudo de novo e assim resolver uma angústia que me persegue ao longo destes anos, mas a vida é assim mesmo”, revelou Alfredo Cunha em declarações prestadas em exclusivo ao labor. “Estas fotografias são o trabalho possível de um miúdo de 20 anos que
sonhava fotografar como os fotógrafos da Magnum. Embora na altura fosse ´imortal´, a verdade é que era um jovem a começar. Esta exposição mostra isso mesmo. Mas tem algumas novidades e algumas surpresas para mim mesmo”, confessou o fotógrafo, aproveitando para agradecer o convite feito por Aníbal Lemos e a Câmara Municipal de S. João da Madeira. Um convite que “muito me honra. É sempre bom fazer a revisitação
do 25 de Abril e mostrar como fomos felizes naquele dia. Nestes tempos difíceis de pandemia ainda mais agradeço o esforço e o interesse da S. João da Madeira pela nossa memória e pelo 25 de Abril libertador. 25 de Abril sempre”, salientou Alfredo Cunha ao labor.
A inauguração contará com a presença do fotógrafo Alfredo Cunha, mas não só. O professor Augusto Lemos dará o seu depoimento vivencial por ter participado no 25 de Abril de 1974 como oficial sob o comando de Salgueiro Maia. Os interessados poderão ainda comprar no próprio dia, ou à posteriori, um livro com fotografias do dia da revolução
tiradas por Alfredo Cunha.
A exposição “A Liberdade passou por Aqui” com fotografias de Alfredo Cunha pode ser visitada até ao dia 31 de agosto na Torre da Oliva.

Alfredo Cunha e Augusto Lemos visitam mural de Salgueiro Maia

E descerram placa alusiva às comemorações do 25 de Abril

Os convidados Alfredo Cunha e Augusto Lemos também vão visitar o mural de Salgueiro Maia, inspirado numa fotografia tirada pelo fotógrafo no dia da revolução, e a chaimite que estão instalados no Bairro do Poder Local, na zona de Fundo de Vila, em S. João da Madeira.
O momento contará ainda com o descerramento de uma placa junto ao mural, associada às comemorações do 25 de Abril deste ano, por parte de Alfredo Cunha e Augusto Lemos, marcado para as 12h30 do dia 25 de abril.
O mural de Salgueiro Maia, da autoria de Frederico Draw, e a chaimite, cedida pelo Exército Português ao Município por tempo indeterminado, foram dois dos momentos altos das comemorações da revolução de abril realizadas em 2019 na cidade sanjoanense. Desde
então que a fachada de um dos prédios de habitação social, na Rua do Poder Local, tem como elemento central a figura de Salgueiro Maia (1944-1992). Recorde-se que foi a este capitão de Abril que coube comandar a coluna de veículos blindados que saiu de Santarém para o Terreiro do Paço e que acabou por levar à rendição do presidente do Conselho de Ministros de Portugal, Marcello Caetano. Por sua vez, a viatura militar blindada é semelhante à que Salgueiro Maia comandou nas operações do dia 25 de Abril de 1974.

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