No Desporto, para se virar o resultado é preciso mudar os protagonistas!

Ponto Assente

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Abordei aqui, já por algumas vezes, aquelas que foram as promessas do Partido Socialista
na campanha eleitoral de 2017. A faltar menos de meio ano para as Eleições Autárquicas, e ao fazer-se o balanço do atual mandato, é possível perceber que mais de metade das propostas apresentadas pelo Partido Socialista não serão uma realidade. No Desporto, fica tudo por cumprir.
Na nossa cidade, às deficientes condições das infraestruturas para a prática das modalidades – que relevam em termos de competição, visto que quanto mais desenvolvidas forem as condições de trabalho, melhores serão os resultados –, juntam-se as críticas das associações e instituições desportivas à falta de apoio, por parte do executivo municipal, para o combate ao corte de receitas. E convém lembrar que o desporto – em particular, o desporto jovem – foi muito afetado pela pandemia e não tem prevista qualquer verba no Plano de Recuperação e Resiliência.
Começando pelas infraestruturas, uma das medidas de campanha do Partido Socialista para o Desporto era a construção de “(…) novos Courts de Ténis, cobertos e ao ar livre, de modo a fazer face à degradação verificada nos atualmente existentes”. Ora, ficámos a saber na semana passada que o Município iniciou a resolução do problema do coletor junto aos Courts de Ténis, um problema com muitos anos e que afetou diretamente a atividade da Associação Estamos Juntos. Se a oposição deve, por um lado, assumir que este é
um problema que se arrastou no tempo, do lado do atual Executivo deve assumir-se igualmente uma quota de responsabilidade pela demora na resolução do problema. É que esta questão, para além de ter demorado quase 4 anos a ser resolvida, já não existiria se o Partido Socialista não tivesse chumbado irresponsavelmente a construção do novo complexo de piscinas em 2015. Em virtude de se estar a resolver esta questão, num investimento que ronda os 42 mil euros + IVA, não me parece que os novos Courts de Ténis – um projeto do anterior executivo que estava já aprovado e, em parte, financiado – sejam, tão cedo, uma realidade no nosso concelho.
A discussão deste assunto, em reunião de Câmara, permitiu concluir que a “construção de um novo complexo de piscinas municipais, que dê resposta às necessidades da população de São João da Madeira e que promova a vinda de utilizadores dos concelhos vizinhos” é, igualmente, uma miragem. Mais do que outra promessa por cumprir, esta medida relembra aquele que é, a meu ver, o mais crasso erro político da história da nossa cidade. E disso o Partido Socialista não se livra: ficarão sempre com a responsabilidade de terem desperdiçado 3 milhões de euros a fundo perdido, de impedirem um investimento público tão necessário à economia e ao desenvolvimento social da nossa cidade e de adiarem, para uma data não definida, o problema de economia energética que a atual piscina comporta.
A última medida para o Desporto tinha que ver com a construção de uma Pista de Atletismo. Outro projeto que certamente nem ao papel chegou. Podia o Partido Socialista, nesta questão, aproveitar o projeto, também do anterior executivo, que existe para a construção do Centro de Alto Rendimento, junto ao Pavilhão das Travessas e que
contemplava uma pista de atletismo. Um projeto ambicioso, de dimensão nacional, que marcava a diferença – por ser um projeto diferenciador na região e no país – e nos afirmava – por ser um equipamento de excelência.
A única obra desportiva que ouço os membros do Partido Socialista referir é a da requalificação do Pavilhão das Travessas. Mas mesmo essa, premente sobretudo ao nível do telhado, está atrasada. O atual executivo contratou a 9 de setembro de 2019, por um prazo de 90 dias e no valor de 51.450€, a elaboração de projetos de reabilitação e requalificação do Pavilhão das Travessas e conceção e construção de um complexo de ténis. Até então, e passados 1 ano e 7 meses, nada se sabe sobre o projeto de requalificação do Pavilhão.
A juntar a isto, as críticas da comunidade desportiva à falta de apoio por parte do município. Para fazer face aos constrangimentos financeiros provocados pela pandemia, creio que se justificava uma atualização dos Contratos-Programa que foram, pela primeira vez na história, aprovados sem que algumas associações soubessem qual o montante a receber. Pelo esclarecimento dado em reunião de Câmara, parece-me que os mesmos não terão qualquer alteração. O que é uma pena. Perdem as associações, perde o desporto e
perde a cidade.
Por tudo isto, creio que é ponto assente que é hora de regressar aos tempos em que os atletas encontravam em São João da Madeira infraestruturas modernas e funcionais, dotadas de equipamentos adequados às mais diversas modalidades. É hora de regressar aos tempos em que as associações desportivas da nossa cidade mantinham boas relações com o Executivo Municipal e não se sentiam sós. É hora de regressar aos tempos em que o Desporto se cumpria. E no desporto, para se virar o resultado é preciso mudar os protagonistas!

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