Em entrevista ao labor, Adelino Calhau responde com a “verdade” e o trabalho que desenvolveu durante 12 anos às acusações que lhe foram feitas pelo seu principal “adversário” nas eleições da filarmónica de S. João da Madeira, agendadas para este sábado

 

Que balanço faz destes 12 anos na presidência da Banda de Música de S. João da Madeira (BMSJM)?

O balanço é claramente positivo, mas antes de responder a essa questão gostaria de vincar que não sou eu que avanço, mas sim nós. Somos uma equipa que lutará sempre pelos interesses da Banda de Música de S. João da Madeira gratuitamente e recusamos lógicas e projetos pessoais ou de grupos.

A nossa lista – Lista A “Pelas Verdades, uma Banda de Oportunidades” – tem a profunda consciência do excelente trabalho realizado no passado e sempre com ambição para projetos futuros aproveitando toda a experiência adquirida.  Relembramos que a 7 de outubro de 2021 a BMSJM vai celebrar 158 anos e queremos através desta entrevista ter a oportunidade de agradecer a todos os dirigentes que deram o seu contributo para a Banda chegar com atividade e vigor aos dias de hoje.

Há 12 anos a Banda encontrava-se em gestão corrente, não havia ninguém para a dirigir e nós com paixão e gosto assumimos esta responsabilidade. A BMSJM apresentava pouca atividade ao nível de atuações, dava prejuízo financeiro e tinha uma Escola de Música (EM) com três/quatro professores. Foi uma fase muito complicada, pois a sala de ensaio era pequena e não havia um espaço com condições para as aulas e para os ensaios. A logística também era difícil, pois havia a necessidade de montar e desmontar o material sempre que havia aulas ou ensaios.

Nessa altura, o nosso principal objetivo foi criar condições físicas (nova sede, protocolada com a câmara por 20 anos) para dinamizar e motivar os músicos e alunos. Procurámos também mais participações em festas, romarias e celebrações, colmatando eventuais prejuízos com os donativos dos amigos da Banda. Angariámos jovens músicos da Banda para dar aulas, dando-lhes oportunidades que não tinham noutras instituições.

Atualmente, e antes da Covid-19, realizávamos 14/15 festas por ano e participamos em vários eventos em parceria com a câmara municipal (CM), os bombeiros, a paróquia e demais associações do concelho. Por tudo isto, fazemos um balanço positivo e com muito boas perspetivas para o futuro, pois a maioria dos membros da lista já tem experiência e entende o “mundo filarmónico”, também devido à juventude do grupo e à participação sucessiva em grandes romarias, das quais gosto sempre de destacar as Festas da Sr.ª da Agonia de Viana do Castelo.

“A existirem aspetos negativos devem servir como aprendizagem e ser tratados ´dentro de portas´ ou em assembleias-gerais”

O que destaca de positivo e de negativo nesta sua liderança?

Só gostamos de destacar as coisas positivas. A existirem aspetos negativos devem servir como aprendizagem e ser tratados “dentro de portas” ou em assembleias-gerais da associação.

Destacamos pela positiva o crescimento da Banda e o aumento progressivo e sustentado das atividades, como já explicámos atrás, mas a evolução das estruturas e dos recursos humanos e materiais também é uma evidência. Salientamos também a estabilidade que conseguimos adquirir a nível da equipa pedagógica e da espinha dorsal do corpo musical, que é jovem e promissora e acreditamos que vai continuar a dar muitas alegrias aos sanjoanenses.

Desde 2015 que confiámos esse papel ao prof. José Américo Belinha, em relação ao qual elogiamos o seu trabalho, carácter e postura, pois aposta em jovens estudantes de música, ao contrário de outros projetos, que querem músicos já formados.  Sempre procurámos manter as pessoas que se adequassem ao nosso perfil, que respeitassem a instituição e as pessoas que a representam e que nos ajudassem a alcançar o nosso objetivo: formar e dar oportunidades a jovens, promovendo valores cívicos, humanos e musicais.

 

Ao longo destes anos, houve alturas em que expressou algum desânimo e até cansaço, chegando mesmo a apelar ao aparecimento de “sangue novo”.

Não foi bem cansaço que expressei. Eu e as direções que representei sempre quisemos deixar claro aos sócios de que a Banda não era só de uma pessoa e que todos têm a legitimidade de se candidatar. Sempre referimos que se aparecesse alguém de confiança para o fazer dentro dos mesmos valores que seria sempre bem-vindo.

 

Agora decidiu recandidatar-se, mesmo tendo aparecido uma candidatura alternativa. Porquê? Já não se sente cansado?

Volto a referir que não sou eu que avanço, mas sim nós. Nós recandidatamo-nos, pois para estas eleições merecemos a confiança maioritária dos músicos, professores e direção artística da BMSJM, bem como dos sócios antigos e dos novos sócios que desde 2020 quiseram associar-se à Banda de forma a combater alguns constrangimentos internos e externos que condicionaram o trabalho da direção, dos músicos, dos professores e da Escola. Os abaixo-assinados de músicos, as mensagens de pais e amigos e a comissão de honra desta lista deram-nos força para continuarmos com o nosso trabalho.

Além disso, por causa da pandemia, muitos dos projetos e atividades que tínhamos para 2020-2021 foram cancelados ou adiados e nós vamos lutar pela oportunidade de os concretizar. Esta equipa fantástica tem várias prioridades já pensadas e definidas e temos responsabilidades a cumprir, como os contratos e protocolos já assumidos com comissões de festas, confrarias e autarquias, pois alguns deles foram adiados de 2020 para 2021.

Queremos que a Banda continue a prestar um serviço comunitário ao manter as aulas na EM de forma gratuita para os sócios e não sócios, sem discriminação e a pensar sempre na inclusão dos mais desfavorecidos.  Queremos também manter os professores, os músicos e a direção artística liderada pelo prof. José Belinha, concretizando o nosso estágio de orquestra, que estava agendado para abril de 2020, com a maestrina convidada Isabel Rubio (maestrina da Orquestra de Vigo), a qual já se disponibilizou a 100% para o reagendamento, bem como a gravação de um CD com música portuguesa.

Devido à Covid-19 outros objetivos não foram alcançados, pois andávamos a estudar a adquisição de uma viatura nova para o transporte do material e queríamos dar continuidade à melhoria das instalações. Convém frisar que esta melhoria já foi assumida pelo Município, ao qual estamos muito gratos por tudo.

 

Recandidata-se com os mesmos elementos de sempre ou há “sangue novo”?

Em todas as novas direções ou listas as alterações ou mudanças de cargo são inevitáveis, umas por questões de saúde e outras por questões profissionais ou pessoais de alguns membros. Mas neste caso o essencial da equipa manter-se-á, com a entrada de dois elementos novos.

“Não fui eu que o dispensei, foi a direção em reunião de direção e não quero ir mais longe”

Em entrevista ao labor, Paulo Coimbra Amado, número um da outra candidatura, acusa-o de ser um presidente “do quero, posso e mando”. O que tem a dizer sobre isto?

Vivemos em democracia e em liberdade, por isso qualquer sócio tem direito à sua opinião. Só temos de a respeitar, mesmo que não concordemos.   Mas em relação a todas as acusações, gostávamos de esclarecer os sócios e sanjoanenses que temos a consciência das limitações financeiras das associações e queremos dar passos seguros na evolução e crescimento desta distinta instituição, recusando qualquer espécie de aproveitamento pessoal e financeiro dos seus colaboradores.

Dito isto, temos como grande prioridade respeitar os valores democráticos, respeitar a coletividade mais antiga de S. João da Madeira, respeitar todos os sócios e outras listas candidatas e os seus membros, sem questionarmos a competência e o carácter das pessoas e os resultados eleitorais. Esta nossa postura, perante os sócios, foi demonstrada ao não divulgarmos nenhum manifesto ou ideias, antes de estarem apresentadas e validadas todas as listas candidatas a esta eleição.

 

Na mesma entrevista, Paulo Coimbra Amado afirma que, mal lhe deu a saber que tinha intenção de se candidatar, a sua direção o dispensou. Confirma?

Em relação a esse assunto quero deixar bem claro uma coisa: não fui eu que o dispensei, foi a direção em reunião de direção e não quero ir mais longe para não expor algumas situações publicamente, que são do foro interno da Banda, pois alguns elementos da direção chegaram a sugerir a instauração de um processo disciplinar, ao qual eu fui um dos que se opôs.

 

É verdade que, tal como ele diz também, há faltas de respeito no seio da BMSJM?

Infelizmente essa era uma situação real que tivemos de resolver. Fomos reunindo com as pessoas, explicando-lhes que estando numa associação devem assumir responsabilidades e não devem condicionar o trabalho da direção, dos professores e do maestro. Umas aceitaram e outras não. Umas mudaram a postura, outras ainda tomaram atitudes mais graves e aí tivemos de intervir. Temos de estar conscientes de que a Banda de Música não pode perder os seus valores.  

“Temos a nossa situação contabilística e financeira completamente garantida e estabilizada”

Paulo Coimbra Amado refere ainda que a BMSJM não honra os seus compromissos para com os músicos e professores, chegando a dever-lhes dinheiro.

Não nos revemos nesse tipo de acusações. Todos os orçamentos da BMSJM e relatórios de contas foram aprovados. Temos a nossa situação contabilística e financeira completamente garantida e estabilizada. Não temos nenhum conhecimento de situações dessas e se alguém se sentir lesado por alguma questão pode vir falar connosco, pode expor a situação, somos pessoas de bem, logo esclarecemos. Além disso, estamos a tentar resolver algumas situações de muitos ex-músicos que têm fardamentos e instrumentos da Banda em casa, os quais já foram solicitados.

 

Não há, tal como o seu “adversário” menciona na entrevista, um subsídio da câmara com essa finalidade?   

Há e é público, mas procurar o equilíbrio financeiro na nossa instituição não é fácil e só com muita ginástica e dedicação se consegue levar por diante o trabalho que está à vista de todos, sempre sem qualquer espécie de aproveitamento pessoal e financeiro dos colaboradores, professores e músicos. Todos deveriam saber que o subsídio da CM é um apoio fundamental, que agradecemos, mas é manifestamente inferior às despesas que temos, daí termos de pegar nas pernas e ir bater às portas atrás de apoios que nos ajudem para que nada falte aos nossos jovens. Não entramos em megalomanias, queremos dar passos seguros na evolução e crescimento da coletividade e volto a repetir, as contas e os orçamentos da Banda são sufragados nas assembleias- gerais e todos eles foram aprovados.

 

O que acha da candidatura “Uma Banda para Todos”?

É um direito que assiste a qualquer sócio da BMSJM: criar uma lista e candidatar-se ao ato eleitoral. Nunca iremos pôr em causa os valores de liberdade e democracia na Banda. Agora não podemos esquecer que “a liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”. A Banda será sempre uma Banda “de” todos: de todos aqueles que querem trabalhar pela Banda, de todos aqueles que assumem um compromisso e as suas responsabilidades e de todos aqueles que respeitem a instituição, os seus órgãos sociais e todos os seus membros que dão o melhor do seu tempo, por esta grande instituição que é a Banda de Música de S. João da Madeira. Enquanto aqui estivermos isso é inegociável!

 

Quais são as suas expetativas para o próximo dia 1 de maio? Está confiante que vai ser reeleito?

Como já referi, nós só apresentámos a recandidatura porque surgiu no início de 2020 um movimento de apoio dentro dos músicos, professores, amigos, sócios e familiares que nos deram força para esta candidatura. Sendo assim, só poderemos estar confiantes na reeleição e para isso apelamos a todos os sócios que votem no dia 1 de maio.

 

Por último, o que sente ao ver a instituição mais antiga do concelho envolta em tanta polémica? 

A Banda deve ser uma referência no concelho e sempre foi uma das coletividades que elevou a cidade de S. João da Madeira quer em Portugal, quer no estrangeiro. Sobre isso, os sócios terão, no dia 1 de maio, a oportunidade de se pronunciarem e se há polémica não será alimentada por nós, pois estamos aqui “Pelas Verdades” e seremos sempre “Uma Banda de Oportunidades”.

Não contem connosco para puxar os nomes da Banda de Música e da cidade de S. João da Madeira para baixo.

 

Adelino Calhau

Adelino Calhau, de 63 anos, é natural e residente em S. João da Madeira. Além de empresário, é um dos rostos mais conhecidos do associativismo local.

Há 12 anos que está ligado à Banda de Música de S. João da Madeira enquanto presidente da direção. E agora volta a recandidatar-se, encabeçando a candidatura “Pelas Verdades, uma Banda de Oportunidades”.

Desde 1979 que lidera as “Festas do S. João” atualmente “Festas da Cidade”. E também chegou a colaborar, na qualidade de dirigente das instalações desportivas, com a direção da Associação Desportiva Sanjoanense, presidida pelo saudoso e grande bairrista Joaquim da Silva Ferreira, ajudando nos dois anos de êxito com subidas consecutivas da Distrital à 2ª Divisão Nacional.

 

Lista A: “Pelas Verdades, uma Banda de Oportunidades”

MESA ASSEMBLEIA-GERAL

Presidente: Tiago Correia

Vice-presidente: José Moreira

Secretário: Fernando Aguiar

Secretário: José Miguel Dias

 

DIREÇÃO

Presidente: Adelino Calhau

Vice-presidente: Manuel Sousa

Tesoureiro: José Bento

Secretária: Ana Sofia Bastos

Vogal: José Duarte

Vogal: Ângelo Oliveira

Vogal: Rodrigo Oliveira

 

CONSELHO FISCAL

Presidente: Joaquim Valente Silva

Secretário: Edmundo Loio

Secretária: Paula Bento

 

Comissão de Honra e Apoio à Candidatura

Luís Cambra; Manuel Pinho; Manuel Correia; José Lopes; Manuel Almeida; Paulo Duarte; Maria de Fátima Guimarães; José Barreira; Serafim Lisboa; António Lisboa; Eduardo Pinheiro; Rodolfo Andrade; Jorge Cortez; Carlos Coelho; Álvaro Pinto; Henrique Benjamim; Carlos Santos; Augusto Rodrigues; José Almeida; Mário Marques; Manuel Ribeiro Almeida; Paulo Cavaleiro; Francisco Lopes; António Cunha.

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