A minha coluna

0
62

OS ABUTRES DO DIA SEGUINTE

Já nem o meu gato tem pachorra para especialistas. Como eu, acha que os especialistas sabem tanto de uma coisa que acabam por não perceber nada do resto. E não é de hoje. Quando vem um especialista falar na televisão – o que agora é praticamente sempre… – o bicho enrosca-se como que a dizer “mais um… Balha-me Deus”! E como eu o percebo. Nas últimas horas o tema foi a cerveja que os ingleses beberam em conjunto num determinado local do Porto sem que nenhum tenha caído ao rio. O Douro. E isso já é obra. Porque se algum tivesse caído ao rio lá teríamos mais uma carrada de especialistas peritos em salvamentos fluviais a criticar a falta de um barco-ambulância do INEM ali ao lado… Pela Ribeira lá andaram uns meninos grandes com pernas branquinhas como a cal e faces rosadas da bebedeira a tentar dar uns sopapos uns nos outros e “ai jesus” que foi uma desgraça. É claro que vimos um a levar com uma cadeira nas costas, mas o homem já ia a cair de bêbado e a esta hora nem se deve lembrar se foi da cadeira ou se tropeçou num paralelo. Mas o que tivemos, e muitos, foram especialistas. A quem me apetece agora chamar de abutres do dia seguinte porque, aconteça o que acontecer, aparecem no dia seguinte espicaçados nos telejornais a dizer mal de tudo o que se passou no dia anterior, mas sem ser capazes de dizer o que teriam feito antes para que o que se passou fosse diferente do que se passou. Desde abutres especialistas da epidemia, até abutres especialistas da restauração e da política, é só escolher.
Toda a gente sabe tudo e, ainda por cima, falam em nome dos portugueses – “os portugueses acham, os portugueses pensam…” – sem sequer terem falado comigo para saberem se eu penso assim como eles dizem. É por isso que julgo ter o direito de, também “em nome dos portugueses”, achar que está tudo bêbado e não só os ingleses. E isto dá-nos uma certa nostalgia do tempo em que era só o Marcelo que sabia tudo de tudo e tudo comentava. Agora qualquer um comenta…

Balha-me Deus!

AI MENDES, MENDES

Aqui há umas semanas atrás o nosso amigo Marques Mendes, comentador generalista que, como se sabe, são pessoas que sabem um pouco de muitas coisas sem parecer que saibam muito de coisa nenhuma em especial criticou – e muito bem – um gráfico que alguém do PS teria publicado e que apresentava as “barras” sem qualquer correlação umas com outras induzindo erros de leitura. É claro que num gráfico “de barras”, se uma coluna representa 100%, uma outra que represente 50% tem de ter metade da altura da primeira e por aí além. Ora, como no melhor pano cai a nódoa, este domingo foi a vez do “lapso” ter caído mesmo em cima dos gráficos do nosso amigo comentador como veremos. É claro que neste assunto o meu gato não se pronunciou porque, apesar da inteligência que tem revelado, ainda não o consegui matricular na escola para aprofundamento dos conhecimentos em algumas matérias mais técnicas. Talvez para o ano. Vejamos então esta imagem:
Na imagem que acima se reproduz, a coluna da esquerda, com 87%, pretende traduzir que a variante inglesa representa 87% dos contágios registados. As colunas seguintes pretendem dar-nos o mesmo tipo de informação sobre os contágios provocados pelas variantes “indiana (4,6%), a de “manaus” ou brasileira (3%) e a da África do Sul (2%). Portanto, para facilitar, ao lado de um prédio de 87 andares teríamos um com cerca de 5 andares, outro com 3 e o último com 2 andares. Estão a imaginar a diferença de altura entre estes prédios? Era essa a proporção que deveria existir entre as colunas deste gráfico, e que não existe. O erro não é do comentador, mas da equipa que lhe trata dos gráficos. Só que é ele quem os apresenta. E para quem tanto se empenha em apontar os erros dos outros….

Balha-me Deus!

UMA QUESTÃO DE COSTAS

Quem me chamou a atenção para esta coincidência de nomes foi o meu gato. Quando ouviu um Costa a falar dum Costa ficou confuso com a repetição sonora e “vidrou” frente ao televisor com um certo sorriso de gato sportinguista!
Vejamos porquê: O Costa (o Pinto) sugeriu ao Costa (o António) que se demitisse. Não tanto porque esteja a governar bem ou mal, mas porque o Costa (o Pinto) quer que o Costa (o António) deixe entrar gente nos estádios, não necessariamente porque ele goste de gente nos estádios para ver futebol, mas por causa do dinheiro que não tem entrado nos cofres do Costa (o Pinto). São razões compreensíveis do Costa (o Pinto) mas que não chegam para que o Costa (o António) se demita. Acho eu e penso que o Costa (o António) também assim pensa. Não sei é se não terá chegado o momento do Costa (o Pinto), que está no poder há mais tempo que o bielorusso, se demitir e dar o lugar a outro. É que quando um clube com equipa tão cara deixa o campeonato ser ganho pelos juvenis do Sporting, alguma coisa está mal. Daí que eu também ache que o Costa se devesse demitir. Mas o Pinto…

Balha-me Deus!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...