A minha coluna

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DUIU SPIQUE INGUELIS?

Ninguém pode estar agradado com as histórias sobre os ingleses. Nem com a sua História
sabendo-se que foi dali, daquele grupo de ilhas, que vieram alguns dos maiores piratas que o mundo conheceu na época em que não havia aviões. Só cavalos e carroças, em terra, e barcos na água. Nessa altura nem se falava do Algarve. Uns longos anos mais tarde trataram de nos ajudar a mandar os franceses embora, mas sempre com a intenção de proteger e aumentar os negócios que por cá tinham. E nalguns casos ainda bem porque se não tivessem sido nós não teríamos o vinho do Porto como o temos e às tantas os nossos enólogos da época tinham-no transformado numa qualquer zurrapa que nunca teria tido oportunidade de ser contrafeito pelos espanhóis. Expulsos os franceses – que por falar em vinho também não eram boa rolha… – por cá ficaram os ingleses em posição reforçada até porque, uns anos mais tarde, teriam que nos impor o célebre ultimato quando o Hermenegildo Capelo e o Roberto Ivens sonharam em ligar Angola a Moçambique. E pronto, estava irreversivelmente escrita a subserviência nacional aos “bifes”. Sossegadinhos a tratar dos negócios um dia descobriram que o sol do Algarve, mesmo sem cerveja, podia acabar rapidamente com a sua natural cor branquela e transformá-los em bifes da vazia, bem rosadinhos, não precisando mais de que uma tardada para essa tarefa. E foi aí que os nossos concidadãos algarvios descobriram a galinha dos ovos de ouro. Começaram a parecer os bares tipo “pâbes”, os hotéis e restaurantes com preços britânicos e o afastamento gradual e progressivo dos tugas que, para além de não perceberem o que estava escrito nas ementas, também não tinham disponibilidades para gastar contos de reis por um bife com batatas fritas que, em algarviês, se passaram a chamar de “chipes”. Nessa altura – e não foi há tanto tempo assim – o Algarve era considerado (mais) uma colónia inglesa muito mais apetecível que o rochedo de Gibraltar. E a maior parte dos tugas durante anos contentou-se em acampar nos arredores de Albufeira, em cozinhar no fogareiro e comer uma melancia de sobremesa porque sempre ficava mais em conta. Como sempre acontece as coisas foram-se alterando. Não que os ingleses viessem menos. Mas porque os tugas foram ganhando espaço aos poucos e acabaram por ser reconhecidos também como cidadãos do país a que o Algarve pertencia. E até as ementas passaram a ser escritas (também) em português. Estávamos no bom caminho, mas sempre com os ingleses a mandar. Veio a pandemia e lá se foram os ingleses. Portanto, já que os tugas gostavam do Algarve e até falavam inglês, toca de os chamar para minimizar os prejuízos. Foi assim no ano passado. Chegaram as vacinas, os testes, a coisa estava a correr bem e o Boris decidiu deixar os ingleses regressar ao Algarve e até ao Porto. Imagine-se. Ao Porto. Mas aqui para uma jornada de bola que deve ter deixado o Pinto da Costa feliz por voltar a ter o estádio cheio. Vacinados e testados, mas, como habitualmente, incapazes de resistir ao grau alcoólico da Super Bock e sempre prontos para uma tareia de putos entre eles. E ainda bem que agora gostam mais de bater uns nos outros porque durante muito tempo andaram pelo mundo fora a bater noutras gentes e a roubar o que puderam. Terminada a jornada o Boris percebeu que eram às dezenas os aviões que diariamente traziam bifes para o Algarve e, vai daí, decidiu: “Meninos: Todos para casa. Façam férias aqui que também temos praias espetaculares com areia da muito grossa e a cerveja não é tão pesada…” E pronto, quando os nossos amigos do Algarve estavam a tentar refazer a tesouraria lá veio a tesourada do Boris e cortou tudo a eito. E nem sequer respondeu ao convite do Albuquerque para fazer a lua de mel na Madeira. Continuou serenamente frente ao espelho a tentar a impossível tarefa de dar alguma ordem ao revestimento capilar que lhe dá aquele ar algo lunático e de despenteado mental!

Balha-me Deus!

PAN, PAN PAN!

Nesta história dos ingleses nem perguntei a opinião ao meu gato. Devo ter feito mal. Embora ele não perceba – acho eu – patavina de inglês, reconheço que tem muito mais jeito que o Boris para se pentear. Leva a patinha à boca, dá-lhe uma lambidela com aquela língua rosada que parece uma lixa e depois passa-a com muita organização pela cabecita. Não consegue fazer risco ao meio, mas sempre fica muito mais apresentável que o Boris. E foi assim, penteadinho que o meu gato se deliciou a ver o resultado do congresso do PAN. Eu acho que ele é fã do PAN tal a atenção que lhes dedica quando aparecem nas notícias. E percebi a satisfação do animal ao ouvir – português ele percebe – a menina do PAN a dizer que vai ser Governo. É só lá para 2024, mas ele espera. Ainda é novo e gostaria de ser deputado. E daqui até lá, tendo em conta a inteligência percebida do meu gato, vou ver se o consigo matricular numa escola de animais onde ele aprenda algo que lhe possa ser útil nessas eventuais funções. A falar, por exemplo. É que ele é tão esperto que só lhe falta falar…

Balha-me Deus!

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