A minha coluna

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E A VISÃO DO PASSADO?

Há dias tentei alertar os responsáveis políticos municipais para as queixas que sei existirem (as queixas…) relativamente ao funcionamento da divisão de obras particulares no município e que estará na origem da mudança de investimentos para outro concelho. Fi-lo publicamente (e em privado) não tanto porque não reconheça ao atual executivo competência para tentar resolver os problemas que se detetem, mas porque, às vezes, um alerta público pode ser mais útil à atuação da própria gestão. Como é natural também sabia que esse alerta poderia ser aproveitado pela oposição para questionar a atividade da maioria. Em período eleitoral mau era se o não fizessem. E o vereador Paulo Cavaleiro cumpriu a sua missão. Em reunião “zoom” aproveitou o texto “de uma pessoa próxima” do Presidente para o habitual e necessário discurso oposicionista, mas, também como é costume nos políticos, esqueceu-se de referir que as eventuais “disfuncionalidades” do serviço em causa não são de hoje. Muito do descontentamento referenciado vem do tempo em que o nosso amigo dr Paulo Cavaleiro era vereador da maioria que governou o município durante muitos anos. E é muito devido à inação das equipas a que também pertenceu que as alegadas “disfuncionalidades” e entraves alegadamente persistem. A máquina não terá sido oleada em tempo útil, não fez as revisões recomendadas e agora, obviamente, a ferrugem está mais solidificada e apresenta maior resistência à limpeza. Não foi agora que o problema surgiu. Um dos mais graves exemplos que me deram já vem do executivo anterior. Hoje, é ao atual executivo que cabe resolver os problemas. Mas, e sublinho o mas, nem sempre é fácil resolver o que durante largos anos outros deixaram sem solução. Foi, aliás, para os começar a resolver que os sanjoanenses mudaram – e de forma tão expressiva – a liderança do município. Será de esperar que em próxima reunião do executivo o nosso amigo dr Paulo Cavaleiro reconheça, pelo menos, num exercício de visão do passado, que já sabia da existência desses problemas quando fazia parte dos mandatos anteriores. E se não sabia…

Balha-me Deus!

ESCONDAM-ME SENÃO EU MOSTRO-ME

Nos últimos dias o meu gato andou estranho. Atónito. Não tanto por causa do arraial da
Iniciativa Liberal, mas ainda por causa da polémica sobre os dados dos opositores aos diversos regimes que governam terceiros países, uns mais para um lado e outros mais para o outro. Eu já lhe expliquei que embora a coisa pareça, possa ser e seja grave tem sido uma prática de muitos anos e não consta que tenha havido qualquer problema por causa disso. É claro que, como princípio, é grave. Mas todo o choradinho hipócrita a que temos assistido, principalmente de gente a quem o poder falta há uns 5 anos (pelo menos), não é mais do que isso. Expliquei-lhe até que vamos ter eleições em breve, entenda ele isso como entender. Mas o que é certo, é certo. Os olhitos do gato continuavam como um “O” maiúsculo. Tentei explicar-lhe que não precisava de estar com os olhitos verdes (à campeão) arregalados porque, bem vistas as coisas, só ingénuos poderiam pensar que, nas manifestações contra o Putin ou o Maduro os tentáculos de ambos não teriam lá perto – ou mesmo nas manifestações – gente das suas secretas a registar as imagens de quem as liderava para depois avaliar o respetivo “grau de perigosidade” para esses ditadores. Fiz-lhe até ver que, mesmo entre nós, já em democracia, por vezes eram identificados agentes da polícia a filmar as manifestações e os intervenientes. Por segurança, dizia-se. E tanto então como nos anos recentes não consta que qualquer opositor a esses regimes que viva em Portugal tenha sido incomodado. Mas nem assim o meu gato mudou o comportamento. Ainda pensei que o medo que dele transparecia tivesse a ver com uma ação conjunta de protesto que ele e o gato do meu vizinho protagonizaram há dias a miar desalmadamente contra os homens que vieram recolher o lixo do contentor verde e o barulho que fizeram a descarregar as garrafas no camião. Coisa que eles, os gatos, não gostam. Do barulho. Mas
rapidamente concluí que não devia ser disso porque os homens já cá vieram buscar o material do contentor azul e a reação foi diferente. Nenhum deles, dos gatos, soltou qualquer miadela. Assistiram impávidos e serenos de cima do muro ao procedimento da recolha e… nada. Num esforço adicional resolvi, então, explicar-lhe – e não foi fácil… – que os organizadores dessas manifestações não devem ser assim tão importantes para o Putin, por exemplo, que deve ter muitos mais com quem se preocupar e não com uns anónimos que resolveram vir viver para este jardim plantado à beira-mar.
Ouvindo-me com atenção – talvez porque lhe estava a explicar tudo isto enquanto preparava a tijela do seu jantar… – o meu gato teimava em manter os olhos bem abertos e a alternar a atenção que dedicava a cada gesto meu com o conteúdo do telejornal. Sempre à espera, pensava eu, que na próxima notícia viessem dizer que o seu nome e morada tinham sido comunicados pelos homens da recolha do vidro à junta de freguesia, daí ao município e que um destes dias viesse alguém cá a casa levá-lo para um gatil. Como se eu deixasse… Mas não. O que o meu gato estava era a assistir às sucessivas entrevistas que na televisão passavam aos tais opositores dos regimes russo, ucraniano, bielorusso, israelita e venezuelano – pelo menos – que não querem ser conhecidos, mas em que todos mostravam corajosamente a sua cara, diziam onde moravam, o que faziam, e se vangloriavam de ter organizado uma manifestação há 2 anos que contou com 15 ou 20 pessoas. E tudo gente cuja atividade tem ameaçado fortemente a sobrevivência desses regimes, dizem eles…

Balha-me Deus!

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