Helena Couto não entende “conclusões lineares, até um bocado básicas, de que a junta não serve para nada”

 

A exposição “S. João da Madeira – a freguesia e a sua importância” foi inaugurada no dia 10 de junho nos Paços da Cultura.

“Não queria acabar o meu mandato sem prestar homenagem aos presidentes da junta que dedicaram parte da sua vida em prol da população” nem sem “valorizar o trabalho da junta e o seu papel junto da comunidade ao longo dos tempos”, disse Helena Couto.

Como este “não é um trabalho acabado, mas em construção”, a presidente apelou a todos que possam contribuir com a partilha de fotografias e documentos relacionados com a junta de freguesia para o processo de criação de um possível documento histórico.

Nesta exposição consta a história das freguesias em Portugal que começaram com as ditas Comissões Paroquiais, posteriormente intituladas de Juntas de Paróquia e só mais tarde Juntas de Freguesia. Bem como os nomes de quem esteve à frente das Comissões Paroquiais (1870-1913), das Juntas Paroquiais (1914-1925) e das Juntas de Freguesia (1926-2021). Também é focado o que é uma freguesia e a importância de ela existir com recurso às iniciativas desenvolvidas por alguns dos seus 18 presidentes. Destes, apenas sete estão vivos. E foi precisamente a estes que foram dirigidas algumas perguntas cujas respostas vão estar disponíveis em formato vídeo no Facebook da Freguesia. Por enquanto o que é sabido é que existem dois “sentimentos comuns a todos”, segundo Helena Couto. Sendo eles a “desvalorização da função da junta de freguesia e a falta de reconhecimento da importância do que é feito com os poucos recursos que temos” e “o gosto pela proximidade às pessoas e pelo ajudar a resolver os seus problemas”. O menosprezo pela junta e pelo seu papel em S. João da Madeira tem sido agudizado pela não delegação de competências por parte da câmara que acaba por ser entendida como um sinal de que este órgão não devia existir. A elevação de S. João da Madeira a cidade levou a que muitas competências da junta fossem transferidas para a câmara, contribuindo para que “com o passar do tempo as pessoas começam a desvalorizar o papel da junta num concelho com uma só”, considerou a atual presidente. Tendo em conta que a lei determina que sem uma junta não há câmara, Helena Couto não compreende “as conclusões lineares, diria até um bocado básicas, de que a junta não serve para nada”. “Todos (os presidentes da junta) se queixam do presidente da câmara da altura. Este paradigma tem de ser modificado. Temos de ser vistos como parceiros e ter opinião seja ela qual for. Pode não ser coincidente com a do presidente da câmara, mas isto é uma democracia. É na troca de opiniões que nasce a luz. É o que o faço na minha junta e é o que gostava que fosse feito na minha terra”, concluiu a presidente.

A inauguração “S. João da Madeira – a freguesia e a sua importância” contou com a presença dos presidentes Joaquim Mateus (mandato de 2002 a 2005), Carlos Coelho (2005-2013) e Helena Couto (2013-2021).

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