Esta foi uma época atípica condicionada pela pandemia e pelo confinamento. Qual o balanço da temporada?

Foi, de facto, uma época bastante atípica e de muitas dificuldades a todos os níveis, nomeadamente no que concerne às questões ligadas ao planeamento e preparação dos treinos e dos jogos. Tivemos de fazer um esforço enorme para nos adaptarmos às circunstâncias anómalas provocadas pela crise pandémica e ultrapassarmos os obstáculos que nos foram surgindo pelo caminho, sempre focados em atingir os objetivos que nos propusemos no início da temporada. Não foi nada fácil e só o conseguimos por força da resiliência das atletas, que nunca desistiram de lutar até ao fim. Tive a sorte de ser acompanhado nesta missão por uma equipa com um espírito guerreiro invejável e que são realmente umas verdadeiras campeãs. Mesmo nos momentos de discordância e de maior sofrimento, o grupo soube unir-se e fazer prevalecer o superior interesse da equipa, que culminou com o apuramento para a 1.ª Divisão Nacional. Por tudo isto, o balanço da temporada é extremamente positivo.

Qual o impacto da pandemia, e consequente confinamento, na equipa?

Teve um impacto danoso e que prejudicou a prestação da equipa, uma vez que nos vimos privados, em determinados momentos, do contributo de algumas atletas, que, de forma direta ou indireta, foram afetadas pela crise pandémica. No entanto, e mais uma vez, o grupo soube driblar as dificuldades com muita capacidade de superação, conseguindo, assim, recuperar de todas estas adversidades. As atletas foram gigantes nas fases de maior sufoco!

Apesar de todas as condicionantes, como descreveria ou definiria esta temporada?

Sei que é um lugar-comum, mas, em bom rigor, só foi possível atingir o objetivo da subida de divisão porque juntos fomos sempre mais fortes. A tática passou por lutar em equipa com muita força, empenho e dedicação.

“As atletas foram gigantes nas fases de maior sufoco”

Quais as maiores dificuldades que tiveram de ultrapassar esta temporada?

A crise pandémica foi o nosso maior adversário. Mas, tal como já referi, também conseguimos vencer esta contrariedade, dentro do que foi possível.

A Sanjoanense terminou a fase Norte no 1.º lugar com apenas uma derrota em 12 jornadas. Como explica esta regularidade?

Esse trajeto quase imaculado deve-se, sem dúvida alguma, à qualidade técnica da equipa, aliada à sua força anímica, sentido de compromisso e capacidade de superação. A única derrota na fase regular foi em S. João da Madeira e explica-se apenas com a falta de sorte que tivemos nesse jogo, ao contrário do que sucedeu com a equipa adversária, o Cantanhedense. São daqueles jogos em que por mais que tentássemos – e tentamos sempre muito -, o fator sorte esteve sempre do lado oposto.

Ainda assim, julgo que esse momento foi decisivo para o êxito da nossa caminhada, pois a equipa uniu-se ainda mais e definiu como ponto de honra recuperar a pontuação perdida no jogo que iríamos realizar em casa deste adversário, o que foi conseguido com todo o mérito. Na semana que antecedeu esta partida, as atletas treinaram ainda com mais afinco e entrega. Foi fantástico e deixou-me bastante orgulhoso. Nunca mais perdemos nenhum jogo na fase regular.

Fruto desse 1.º lugar, a Sanjoanense foi uma das equipas que no último fim de semana lutou pela subida de divisão, que acabaria por conseguir ao vencer as meias finais. Com que mentalidade a equipa encarou esta fase final?

A equipa estava preparada para ganhar. Contudo, entrou um pouco nervosa no jogo. Penso que foi a ansiedade e a vontade de decidir o jogo desde o primeiro minuto que afetou um pouco o rendimento inicial da equipa. Naquela fase da partida as atletas pensaram mais com o coração do que com a cabeça. Depois de assentarmos ideias, fomos subindo de produção e acabamos por ganhar com muita vontade e qualidade de jogo. Veja-se que no quarto período ganhámos por uns esclarecedores 19-4. Foi com a raça e bravura sanjoanense que conseguimos a tão almejada subida à 1.ª Divisão Nacional.

“A equipa arregaçou as mangas e lutou até ao fim pelo título de campeão”

Já na final a derrota frente ao Barcelos afastou a Sanjoanense de lutar pelo título da 2.ª Divisão. O que falhou?

Antes de mais, devo realçar o facto de a equipa do Barcelos ter nas suas fileiras uma atleta norte-americana e uma estrangeira naturalizada, sendo que, em termos de estatura física, é muito mais alta do que a nossa. Quanto à equipa da ADS é constituída, maioritariamente, por atletas formadas no clube e conta ainda com a participação de jogadoras do escalão de sub-19. Apesar destas diferenças de argumentos conseguimos ganhar o segundo período por 27-18 e o terceiro por 16-12, estando mesmo à frente do marcador durante muito tempo. Claudicámos apenas no último período, que foi decisivo para a vitória da equipa adversária. Seja como for, a equipa esteve à altura do desafio e exibiu-se a um nível bastante elevado, o que me enche de grande satisfação. Foi um privilégio para mim liderar este grupo de atletas que honraram, com muita coragem e valentia, os pergaminhos do clube, quer durante a fase regular, quer nesta etapa final.

O título era um objetivo ou a meta passava exclusivamente pela subida de divisão?

O principal objetivo era a subida de divisão, mas, obviamente, não desistimos de ir um pouco mais além e foi imbuída deste espírito que a equipa arregaçou as mangas e lutou até ao fim pelo título de campeão. Sabíamos perfeitamente que era uma meta muito difícil de atingir, mas tudo fizemos para contrariar o favoritismo do Barcelos e ter a oportunidade de disputar a Final Nacional. Honestamente, e sem qualquer ponta de vaidade, julgo que merecíamos vencer a final, pois dentro de campo não se notou a diferença de argumentos no desempenho de cada uma das equipas. Por tudo o que fizeram, as minhas atletas mereciam este prémio.

Com a subida à 1.ª Divisão o clube e a equipa têm responsabilidades acrescidas para a próxima temporada?

Sim. A próxima temporada vai ser de maior exigência e responsabilidade, mas estou certo que a equipa, o clube e a cidade vão responder positivamente e, todos juntos, vamos conseguir honrar o emblema alvinegro.

Quais os ingredientes para o sucesso da equipa da Sanjoanense?

A união da equipa, a vontade de vencer, a coragem dentro de campo, a inteligência individual de cada uma das atletas e a capacidade de superação são os nossos principais atributos. Foi com a junção de tudo isto que conseguimos escrever mais uma página de ouro no historial da Associação Desportiva Sanjoanense.

“Foi um privilégio para mim liderar este grupo de atletas”

Com a equipa agora na 1.ª Divisão, quais os objetivos que deveriam ser definidos para a próxima época?

Com os pés bem assentes no chão, devemos definir como principal objetivo a manutenção na 1.ª Divisão Nacional. Tudo o que vier por acréscimo serão feitos hercúleos. De uma coisa tenho a certeza. A equipa irá lutar pela vitória em todos os jogos que disputar, independentemente da valia do adversário.

Como definiria a equipa da Sanjoanense?

É uma equipa na verdadeira aceção da palavra. Como já alguém disse, o talento vence jogos, mas só o trabalho em equipa ganha campeonatos. E foi isso que conseguimos fazer: ganhar a zona Norte C da 2.ª Divisão Nacional e garantir a subida à 1.ª Divisão Nacional, fruto de uma união bastante forte de um grupo de atletas que tive o privilégio de liderar, bem como da qualidade técnica de todas as jogadoras, força anímica, sentido de compromisso e capacidade de superação, conforme já realcei.

Quais os princípios para uma relação de sucesso entre o treinador e atletas, nomeadamente numa equipa feminina?

A honestidade e o respeito pelas diferenças devem estar sempre presentes na relação entre treinador e atletas. Só assim é que se consegue perceber e potenciar as virtudes individuais em prol da equipa.

“A honestidade e o respeito pelas diferenças devem estar sempre presentes”

Com a época no fim e o objetivo alcançado, que palavras ficam por dizer?

Faltam-me palavras para descrever o sentimento que tenho por terem acreditado, tanto como eu, que era possível alcançar este resultado desde o primeiro instante que abraçamos este projeto. Um obrigado não chega. Mas, como é óbvio, há reconhecimentos que têm de ser feitos e gostava de agradecer à minha família e a duas pessoas em particular pela paciência e carinho que me dispensaram todos os dias, principalmente durante os meus momentos de desabafo, irritação e até de algum desapontamento.

Para além das jogadoras, a quem deixo o meu eterno e profundo obrigado, também tenho que agradecer ao presidente, Luís Vargas, pela ajuda e colaboração, aos membros da secção de basquetebol, Urgel Martins e João Antunes, pela confiança depositada em mim e nas atletas, e pelo apoio prestado ao longo da época. Agradecer também o contributo precioso da Grifagem JP, da Câmara Municipal de S. João da Madeira, em especial à vereadora Rosário Gestosa, da Junta de Freguesia, pela disponibilização do autocarro e motorista, bem como de todos os adeptos, familiares e dirigentes que, de alguma forma, nos ajudaram ao longo da época e em particular nesta fase final realizada em Braga. Gostaria ainda de agradecer ao João Dias, pela ajuda no aspeto logístico, ao vice-presidente da ADS, Ricardo Pinto, e ao meu companheiro da equipa técnica, João Costa, por terem tido uma importância vital nesta caminhada, pois foram essenciais no sucesso alcançado.

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