O labor entrevistou o atual presidente do clube que, ao fim de 58 anos de serviço à comunidade sanjoanense, é “uma referência a nível distrital e nacional”, sobretudo, na área social 

Como é que o José Rocha chega ao Rotary Club de S. João da Madeira (RCSJM)?

Em 2001 fui convidado pelo nosso companheiro Fausto Sá para assistir a algumas reuniões do Rotary Club de S. João da Madeira, a fim de me inteirar do movimento rotário. Identifiquei-me com este movimento que tem como lema “dar de si antes de pensar em si” e acabei por aceitar o convite daquele que veio a ser o meu padrinho rotário.

Depois de ter sido presidente em 2003/2004, voltei a sê-lo agora, passados 17 anos.

O que é isto de “dar de si antes de pensar em si”?

É o lema rotário. Sob este lema e como é tradição do Rotary Club de S. João da Madeira, definimos alguns objetivos iniciais. No entanto, ao longo do ano continuamos sempre abertos a novos projetos que possam surgir. O grande objetivo é sempre o de responder, em tempo útil e da melhor forma possível, às necessidades que se revelam na comunidade.

Como é que foi ser reeleito após 17 anos desde a primeira vez que presidiu ao clube?

Um não rotário faz muito essa pergunta. Sabe que em Rotary não há lugares fixos, cativos. E não se coloca a questão da recandidatura, porque os nossos cargos são anuais e não é habitual um presidente fazer dois mandatos seguidos. Os presidentes são eleitos todos os anos, em assembleia do clube, pelos respetivos companheiros, com uma antecedência de dois anos.

Por exemplo, para o próximo ano (2021/2022) será o nosso companheiro Hugo Baptista, advogado e sócio da sociedade de advogados “Douteiro Rodrigues da Silva-Sociedade de Advogados RL”, que já foi presidente no ano de 2006/2007. Para o ano rotário de 2022/2023 foi eleita Inês Reis, já com um largo currículo na nossa organização, pois desde muito jovem se iniciou no Rotaract.

E como foi ser presidente em ano de pandemia?

O RCSJM adaptou-se à nova realidade a que toda a sociedade foi sujeita, como, aliás, o fizeram a grande maioria das instituições.

Mas apesar de ter sido um ano muito difícil, a verdade é que o nosso clube teve a capacidade de mobilizar todos os companheiros. Desde o início de toda esta crise pandémica, fizemos tudo aquilo que estava ao nosso alcance, tal como a obtenção e distribuição de todo o tipo de materiais de proteção em falta relacionados com a Covid-19.

Numa altura em que ninguém tinha este tipo de materiais, com a mobilização de todos, conseguimos angariar e doar mais de 14 mil artigos de uso hospitalar, tais como viseiras, máscaras, gel, luvas, cogulas e botas de proteção, socas de enfermagem, separadores em acrílico, entre outros.

Acho que, apesar de ter sido um ano pandémico, foi um ano muito rico em obra. E assim continuará, porque é esse o objetivo: sermos conhecidos pela ação social e sermos conhecidos na comunidade pelo bem que lhe fazemos e não por sermos um grupo de elitistas que se junta para jantar, como éramos tidos há muitos anos.

Qual foi o maior desafio deste seu segundo mandato?

Foi saber lidar com a pandemia. Saber lidar com tudo o que é diferente do que era habitual. Acabou por correr bem. Porquê? Porque obrigou as pessoas a adaptarem-se às novas tecnologias.

Como sabe, não somos um clube de miúdos, de gente jovem.  Somos um clube de gente adulta, sénior. E quanto mais seniores somos mais complicadas são estas coisas de adaptabilidade. Felizmente com a ajuda uns dos outros, temos hoje todos os companheiros a saberem mexer num computador, a entrarem no Teams ou no Zoom com uma facilidade brutal. E aquilo que parecia ser o fim do mundo acabou por ser exatamente o contrário.

Mesmo à distância, as reuniões semanais passaram a ser mais participadas e o clube está mais unido. Mesmo nos eventos distritais a adesão tem sido brutal.

Já agora aproveito para dizer que brevemente retomaremos as reuniões presenciais. Fazemos reuniões semanais, todas as sextas-feiras, pelas 19h15, na nossa sede (Casa das Associações).

De 14 para 40: número de “sopas solidárias” distribuídas pela Universidade Sénior triplicou num ano

Quais os projetos que concretizaram? E que têm em curso?

Atualmente, temos vários projetos em curso, muito acarinhados pelo clube, como, por exemplo, a atribuição debolsas de estudo a alunos dos ensinos secundário e superior (neste momento, no valor de 75 euros/mês) e o Banco de Material Ortopédico, promovido em parceria com a Cerci.

Para além disso, recentemente, por nossa iniciativa e com a colaboração de empresas da cidade, reconstruímos as instalações sanitárias de um casal com graves problemas de saúde e enormes dificuldades.

Estamos também fortemente empenhados em ajudar a construir uns “anexos” a uma senhora inválida que vive em condições habitacionais muito precárias. Trata-se de uma obra que obriga a projeto. E, por isso, arranjámos um arquiteto rotário e quem nos forneça os materiais. O arquiteto está precisamente a tratar do projeto de especialidade que depois será apresentado à câmara.

Mais recentemente, com a parceria da junta da freguesia (JF), pintámos a casa de uma outra senhora que estava a viver em condições também deploráveis. Como é evidente, além da colaboração de todos os companheiros do clube neste projeto, contamos ainda com a de empresas e de beneméritos. Também por altura do nosso 58º aniversário, em abril deste ano, cedemos uma cadeira elétrica a uma utente da Santa Casa da Misericórdia (SCM).

Ainda neste último Natal, entregámos presentes às crianças do Centro de Acolhimento Temporário da SCM e também chocolates, brinquedos e roupa a 72 crianças da Rede Social, bem como a uma família de refugiados.

Por falar em CAT, cedemos oito dos nossos computadores às crianças do Centro de Acolhimento Temporário, para que pudessem ter aulas durante o confinamento.

Já muito recentemente, fomos desafiados pela coordenadora da equipa de cuidados paliativos do CHEDV, Drª Cristina Teixeira Pinto para colaborar num projeto de apoio aos doentes com esclerose lateral amiotrófica, que será liderado pela Drª Catarina Branco, da Medicina Física e Reabilitação.

Em pouco tempo, conseguimos congregar o apoio de todos os clubes rotários dos concelhos abrangidos pelo CHEDV. Este projeto é candidato a um concurso da Fundação “la Caixa” e a presença de organizações da sociedade civil, como os rotários, pode ser decisiva para o seu financiamento.

E o que tem a dizer sobre a vossa Universidade Sénior?

A nossa Universidade Sénior tem um papel preponderante em toda esta dinâmica do clube e na sociedade sanjoanense. Leciona várias disciplinas. E, para além disso, em parceria com a JF, distribui atualmente 40 “sopas solidárias”, quando há precisamente um ano distribuía 14.

Este número que quase triplicou demonstra bem a atual realidade das dificuldades que muitos sanjoanenses atravessam.

Neste momento, quantos são os membros do RCSJM?

Atualmente somos 24, sendo 14 homens e 10 mulheres. Só por si, a existência de um clube rotário em S. João da Madeira representa uma enorme forma de promoção da nossa cidade.

Já tivemos três governadores de distrito provenientes do clube sanjoanense: Argel de Melo, Marcelino Chaves e Fernando Laranjeira. Dizemo-lo sem falsas modéstias: o Rotary Club de S. João da Madeira é uma referência a nível distrital e nacional.

Que idades têm o elemento mais novo e o mais velho? 

O mais novo terá cerca de 30 anos. O mais velho é o nosso companheiro fundador e carismático Dr. Flores. O clube foi fundado há 58 anos e ele é o único sócio fundador vivo. Até há pouco tempo, também tínhamos os companheiros Hamilton Figueiredo, Marcelino Chaves e Sílvio Bulhosa, que, entretanto, já faleceram.

24 Rotários é um número aceitável?

É razoável. Temos clubes com menos pessoas e clubes com mais. Diria que é um clube que estará acima da média. Porque repare juntar 20 e tal profissões não é fácil. E curiosamente falta-nos uma jornalista [risos].

“Inicialmente nem eram admitidas senhoras. Agora, não. Somos um clube totalmente aberto!”

Então o que deve fazer quem quiser pertencer ao clube?

Para além de ter de ser profissional de algo, deve falar connosco. Depois, terá de assistir a reuniões para ver se o movimento rotário se enquadra dentro do seu perfil e do seu espírito. Claro que, como tudo na vida, há pessoas que se adaptam e há outras que não.

Cada clube rotário tem a sua cota. O valor é fixado em função das necessidades de cada clube e daquilo que for decidido em reunião. No caso do RCSJM, é de 20 euros por mês. Parte é para pagar à Fundação Rotária, onde o dinheiro é canalizado para projetos como a luta contra a pólio, a falta de água, etc., etc.. E também para as nossas necessidades internas: por exemplo, comprámos há pouco tempo uma cadeira de rodas para a utente da SCM a nossas expensas.

O RCSJM fez em abril passado 58 anos. Faz sentido continuar a ser tido por alguns como sendo um clube elitista?

Não. Não faz sentido. Reconheço que no passado havia esse sentimento de elitismo, por pertencerem alguns industriais de topo e por ser um clube muito fechado. Inicialmente nem eram admitidas senhoras. Agora, não. Somos um clube totalmente aberto!

Agora, além de senhoras (algumas delas até já foram presidentes), temos também um Rotaract Club, composto por jovens dos 17 aos 30 anos.

A relação com a câmara e a junta de freguesia é boa?

Muito boa. Foi sempre com todas as câmaras e juntas. Pertenço ao movimento rotário desde 2001 e, como tal, “apanhei” alguns presidentes. Todos foram impecáveis connosco, porque percebem o que fazemos. Eles também sabem que estamos presentes quando é preciso. Somos parceiros.

A divulgação do vosso serviço à comunidade tem sido suficiente?

Já foi menos do que é. Aliás, quero agradecer em nome do RCSJM a vossa amabilidade e a oportunidade que nos estão a dar. É importante que a comunidade saiba e perceba o que andamos a fazer.

Temos um José Rocha que já foi presidente, past-presidente e que voltou agora a ser presidente. Faz parte dos seus planos vir a assumir o lugar de Governador do Distrito Rotário 1970?

Com toda a sinceridade, não. Mas há uma coisa que a vida me ensinou: não podemos fazer projetos à la longue, mas sim conforme as necessidades.

Somos dos poucos clubes que tem o privilégio de ter tido governadores de distrito (Urgel de Melo, Marcelino Chaves, Fernando Laranjeira), de ter tido um diretor de Rotary Internacional (Marcelino Chaves). E, neste momento, temos, no mínimo, três pessoas preparadíssimas para amanhã mesmo serem governadores. Qualquer uma delas tem condições para o ser.

Hugo Baptista é o presidente que se segue

Hugo Baptista sucederá a José Rocha na presidência do Rotary Club de S. João da Madeira (RCSJM), estando a cerimónia da transmissão de tarefas prevista para o próximo dia 9 de julho.

Casado e pai de dois filhos, Hugo Silva nasceu em Lisboa há 49 anos, mas desde tenra idade que vive em S. João da Madeira. Licenciado em Direito pela Universidade Portucalense Infante D. Henriques – Porto, é advogado e sócio fundador da sociedade de “Advogados Douteiro, Rodrigues da Silva – Sociedade de Advogados RI”.

Ao longo da sua vida, o novo presidente rotário tem estado ligado a várias instituições de índole desportiva e também associativa. Neste momento, para além de pertencer ao RCSJM, faz também parte da direção da Cerci de S. João da Madeira.

 

Uma nova “Árvore da Amizade”será plantada no Jardim Municipal

A “Árvore da Amizade” que foi plantada no Jardim Municipal em maio de 2015, aquando da XXXII Conferência do Distrito Rotário 1970 que se realizou em S. João da Madeira, desapareceu. O presidente José Rocha não soube dizer ao labor o que lhe terá acontecido, contudo, deu a garantia que uma nova árvore será plantada no mesmo local, também simbolizando “a amizade e o companheirismo dos clubes rotários de todo o mundo”.

Em princípio, será também uma árvore rara de origem brasileira, tal como a primeira, estando a sua plantação dependente da autorização do Município.

Recorde-se que precisamente em 2015 Fernando Laranjeira, do Rotary Club sanjoanense, era o Governador do Distrito Rotário 1970, daí o evento ter tido lugar na cidade.

 

Rotary organiza palestra “Porquê Indústria 4.0?”

Atento às novas realidades do mundo empresarial e da formação profissional, o Rotary Club de S. João da Madeira promove, no dia 25 de junho, pelas 19h15, no auditório da Sanjotec, uma palestra subordinada ao tema “Porquê Indústria 4.0?”. Os engenheiros Américo Azevedo e Elísio da Mota e Silva são os palestrantes convidados.

Entre outras funções, Américo Azevedo é coordenador do CESE – Centro de Engenharia de Sistemas Empresariais, do INESC TEC e diretor científico do FABTEC – Laboratório de Processos e Tecnologias para Sistemas Avançados de Produção. Já Elísio da Mota e Silva é diretor da DUAL, o Departamento de Qualificação Profissional da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, e é membro de grupo de trabalho luso-alemão para a qualificação profissional, no âmbito de acordo de cooperação entre os governos de Portugal e Alemanha.

 

José Rocha

DF

Casado e pai de dois filhos, José Rocha nasceu em S. João da Madeira há 55 anos. Cidade onde ainda vive e também estudou até ao 12º ano de escolaridade. Começou por frequentar a escola do Espadanal, depois a antiga EB2,3, que “inaugurou” no seu 5º ano, e, por último, a Escola Secundária Dr. Serafim Leite.

Entretanto, concorreu à Faculdade de Economia e à Academia da Força Aérea. Entrou nas duas, mas acabou por optar pela segunda, onde foi admitido no curso de Piloto da Força Área Portuguesa. Não é, pois, por acaso que é piloto particular de aviões nem que pertence aos órgãos sociais do Aero Clube da Costa Verde.

Mais tarde, após se licenciar em Gestão Financeira, viria a enveredar pela carreira bancária. José Rocha foi bancário durante 30 anos, um longo período a que pôs termo “por opção”. Neste momento, encontra-se a preparar um projeto pessoal que ainda não quer revelar.

Faz parte do Rotary Club de S. João da Madeira desde 2001, tendo sido presidente nos anos rotários de 2003/2004 e agora de 2020/2021. Está prestes a passar o testemunho ao companheiro Hugo Baptista.

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