Ani São-João quer construir um gatil

Autárquicas 2021

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GN

Bloco acusa câmara de tomar “medidas cosméticas” de apoio à causa animal 

De visita ao Albergue para Animais Errantes, a candidata do Bloco de Esquerda (BE) à câmara defendeu, no passado sábado, “um concelho mais amigo dos animais”.
Em declarações exclusivas ao labor, Sara F. Costa acusou, em nome do partido, o Município de tomar “medidas cosméticas” de apoio à causa animal. Segundo a número um ao executivo municipal, são necessárias mais e melhores “políticas de apoio à esterilização e adoção” e também “medidas para apoiar os agregados familiares que cuidam dos seus animais”, não só os agregados mais carenciados, mas também os outros.
A candidatura do Bloco nestas autárquicas propõe, por exemplo, a existência de uma verba no Orçamento Municipal “destinada ao tratamento veterinário de animais abandonados acidentados”. E, por conseguinte, a celebração de protocolos de colaboração com clínicas veterinárias da cidade, que é coisa que até agora não foi feita e que o BE acha que “seria muito importante, até para a questão do recobro dos animais errantes que são esterilizados e que depois são devolvidos à rua”.
Segundo Sara F. Costa, “o trabalho a nível da esterilização [que é levado a cabo no Canil Intermunicipal] é insuficiente”. “Não se têm feito quase esterilizações, quando se deviam fazer cada vez mais. Qualquer dia não há canis, albergues, respostas, suficientes para todos os animais e não os podemos deixar na rua”, avisou.

Cargo de Provedor dos Animais devia ser remunerado 

Da lista de propostas do Bloco constam ainda “a coordenação e a formação das equipas de voluntários que trabalham nos albergues” e, igualmente, “mais ações de formação para a população em geral”.
Além disso, o Bloco de Esquerda é de opinião que o/a Provedor/a Municipal dos Animais devia ter um salário. “Estamos sempre a tratar os animais com base no voluntariado quando devia haver pessoas devidamente remuneradas a dedicarem-se a tempo inteiro a esta questão”, disse Sara F. Costa, dando também nota da “falta de comunicação” entre as cuidadoras da colónia de gatos da Avenida do Brasil e a edilidade.

Custo do gatil rondará os 70 mil euros 

Entre os que estão no Albergue para Animais Errantes, situado na Avenida de Casaldelo, e os que estão em FAT – Famílias de Acolhimento Temporário, a Ani São-João – Associação dos Amigos dos Animais de S. João da Madeira tem a seu cargo cerca de 100 animais.
Mesmo tendo acabado de construir mais quatro boxes, “oferecidas” por um benemérito, haverá sempre “necessidade de ampliar o espaço”. Neste momento, a associação dispõe de 15 boxes. Mas a ideia é criar mais, assim como um recreio e ainda um gatil.
“Não há espaços para gatos na região, exceto na Aanifeira [em Santa Maria da Feira]. E esta era uma resposta que queríamos ter”, referiu Raquel Pinho, adiantando que o gatil que tem em mente – uma espécie de “mini casa com um solário” – poderá custar cerca de 70 mil euros. “Há construções mais baratas, mas se é para gastar dinheiro sou de opinião que é para gastar para a vida”, completou.
Fruto de um protocolo assinado em julho do ano passado, é a Ani São-João que gere o Albergue para Animais Errantes de S. João da Madeira, comprometendo-se a “respeitar, cumprir e fazer cumprir, em articulação com a médica veterinária municipal, todos os procedimentos para a boa execução das normas de funcionamento” do espaço camarário
em causa.

FIXAÇÃO DE PESSOAS NO CONCELHO PASSA POR MELHORES POLÍTICAS DE HABITAÇÃO

Em comunicado enviado ao labor, o Bloco de Esquerda (BE) mostra preocupação perante o facto de S. João da Madeira (SJM) ter perdido população nos últimos anos.
Segundo dados do Ministério da Administração Interna, o concelho perdeu cerca de 400 eleitores desde 2017, ano das últimas autárquicas, indicador que “nos preocupa” e que “muito nos diz sobre a incapacidade do atual executivo em fixar a sua população”, referem os bloquistas na nota de imprensa, defendendo que a solução do problema passa por melhores políticas de habitação.
Para o BE, “a cidade pode fazer muito pelos seus habitantes através da reabilitação urbana e da criação de bolsas de arrendamento para fixar, por exemplo, a população mais jovem”. O partido tem, aliás, no seu programa eleitoral várias propostas que combatem a especulação imobiliária e facilitam a fixação de pessoas em SJM, como, aliás, o nosso jornal já noticiou em edição anterior.

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