A minha coluna

0
62

SNS ZERO ZERO

Deve ser assim com todos os serviços que têm muita procura. Enviamos um email a reclamar de determinada situação, que normalmente nos é prejudicial – e, passado um minuto, recebemos a mensagem “read” o que nos dá a esperança de que alguém tenha lido, e de imediato, a nossa mensagem. Razão para ficarmos descansados porque o assunto está a ser tratado? Não. Mentira. O sistema em causa envia-nos essa mensagem exatamente para nos enganar, dando-nos a ideia de que alguém se está mesmo a preocupar com o nosso problema. Acontece em muitas organizações e acontece no SNS24. São os próprios funcionários do atendimento da linha SNS24 que o dizem. Há dias um cidadão teve que pedir (vejam o verbo: PEDIR…) ao SNS24 para atualizarem a informação de modo a que o seu Certificado Digital Covid saia correto, indicando que já tem as duas vacinas há mais de um mês. Depois de vários telefonemas “em círculo” enviou um email e recebeu a resposta nos segundos seguintes: “READ!”. Estranhou porque eram quase duas da manhã. Estaria alguém a ler os emails a essa hora? Se assim era o serviço era 5 estrelas. Sem resposta, reenviou o mesmo email no dia seguinte e, segundos depois, recebe nova resposta:” READ”! Como passados dias ninguém resolvia (e ainda não resolveu…) ligou para o atendimento do SNS24, explicou a situação pela enésima vez e, quando deu conta de que os emails tinham sido lidos, a resposta do operador foi esta: “Não. Não foi lido. Isso é uma resposta automática do sistema… Mas não se preocupe porque o assunto vai ser resolvido pelos informáticos…. Só não sabemos quando!”. Temos, pois, um serviço SNS00!

Balha-me Deus!

 NÃO INVOQUEM O NOME DO VÍRUS EM VÃO…

A pandemia trouxe um agravamento no atendimento dos serviços públicos. Não só em Portugal, mas pelo Mundo fora. Instalou-se a regra do atendimento por marcação e o vírus passou a ser invocado muitas vezes para justificar ausências de respostas e de decisões por parte de todos os serviços, públicos e privados, para com o cidadão comum que delas precisa.  A cena seguinte passou-se num hospital público e num país europeu, – Portugal Incluído – numa maternidade que possui um serviço de registo automático de cidadãos ali nascidos e que, nos anos A.P. (antes da pandemia) funcionava eficientemente. Pois bem. Depois do nascimento de uma criança o pai ligou para o serviço em causa para marcar o ato do registo de nascimento. Durante meia-hora ninguém atendeu. Como o cidadão em causa estava no mesmo edifício desceu ao serviço e deparou-se com os 4 funcionários em amena cavaqueira. “Desculpem. Queria fazer o regis…”. “Não. Tem de marcar pelo telefone” – respondeu uma solícita funcionária. “Mas estive meia-hora a ligar e ninguém atendeu…” – explicou. “Mas o telefone não tocou. Portanto faça a marcação por telefone”. O cidadão pega no telemóvel, ali mesmo em frente à funcionária, e voltou a ligar o mesmo número. O telefone do lado de dentro do balcão tocou e a mesma funcionária atendeu perguntando qual era o assunto. “É para fazer o registo de nascimento…”. “OK” – diz a funcionária. “Pode vir cá daqui a 5 minutos?”. “Claro” – respondeu o cidadão. “Estou mesmo aqui à sua frente”. “Ah! É você! Então espere um bocadinho que já o atendo” …

Balha-me Deus!

E TÊM INICIATIVA?

Até o meu gato arregalou os olhos de contente quando soube da notícia de que a IL, normalmente traduzida por Iniciativa Liberal, tinha decidido apoiar a candidatura da coligação que pretende ser alternativa à atual maioria na câmara. Como sabem, o meu gato é muito bem informado e até tem o seu quê de liberal. Como eles, só olha pelos seus interesses. Vem comer quando lhe apetece e se a “gamela” está vazia, mia até que alguém lhe dê o que pretende para encher o bandulho. A gamela é sua e só sua. Quanto a regras estamos falados. É um verdadeiro liberal. Só conhece as suas que são, aliás, as únicas em que, no seu entender, é sempre beneficiado. Quando têm a ver com os direitos dos outros faz de conta que as não conhece. Se um seu semelhante da rua salta o muro para tentar comer da sua gamela, eriça os pelos, põe-se em bicos de patas e faz um ruído esquisito, ameaçador, até que o outro dê meia-volta e desapareça. Os seus interesses estão acima de tudo e nem sequer me liga quando chamo por ele. Se for para lhe dar alguma coisa que lhe interesse, aí vem ele. Se assim não for, limita-se a disfarçar fingindo que não ouve. Por diversas vezes lhe disse que não deve fazer as necessidades junto da floreira com rosas. Não respeita. Volta e meia lá está ele a tentar encher de mau odor as rosas que, apesar de tudo, ainda purificam o ambiente.  O meu gato é, pois, o que se chama de um verdadeiro liberal. Come à custa dos outros e o que produz quase sempre cheira mal. Esperemos que os do IL da cidade, que ninguém conhece, tenham pelo menos iniciativa…

Balha-me Deus!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...