Que balanço faz desta primeira experiência da equipa B, que culminou com a subida à 2.ª Divisão?

Esta foi uma época atípica e não há qualquer tipo de preparação que resista a este tipo de situação. Não se consegue ter um planeamento estável e uma base sólida. Foi necessário adaptar-se conforme a pandemia foi deixando e nós tivemos de o fazer. Para nós foi basicamente uma temporada com três ou quatro pré-épocas, porque ou a competição iniciava e pouco depois parava ou porque alguém estava infetado e tínhamos de entrar em quarentena.

Tudo isso também obrigou a que numa fase final se realizassem dois jogos por fim de semana e isso revelou-se muito desgastante tanto ao nível físico como psicológico. Mas com o esforço, dedicação, vontade e crer que toda a equipa demonstrou conseguimos a subida de divisão. Por todos esses aspetos e alguns dissabores que ultrapassamos pelo meio, acho que foi uma época bastante positiva.

A subida de divisão foi, alguma vez, um objetivo assumido?

Dentro do seio da equipa falava-se nessa possibilidade, mas tínhamos os pés bem assentes no chão. O nosso objetivo assumido era entrar em cada jogo para ganhar. Não existia a obrigação de lutar pela subida, mas a partir do momento em que começamos a vencer jogos, a conhecer os adversários e verificar que tínhamos capacidade para lá chegar fomos ambiciosos e decidimos, entre nós, traçar como objetivo a subida à 2.ª Divisão.

Com isso surgiu a questão que a subida levanta relativamente ao aspeto financeiro, mas isso é uma situação com a qual a equipa não tem de se preocupar.

O facto da subida ter sido alcançada na época em que a equipa foi criada e face a todas as dificuldades fazem deste um feito ainda mais notável?

Sem dúvida. Trata-se de uma equipa jovem em que tudo era novo, não só para nós como para os atletas, mas conseguimo-nos adaptar e conviver com todas as limitações e condicionantes que, de certa forma, também nos tornaram mais fortes. Foi uma fase de crescimento que também nos deu motivação extra para treinar e para ganhar jogos.

A Sanjoanense foi a única equipa na zona B que se manteve invicta praticamente até ao final do campeonato, sofrendo as únicas duas derrotas nas últimas jornadas.

Como treinador já estava a prever alguns dissabores. Quando se começam a realizar dois jogos por fim de semana, ao sábado e ao domingo, de forma consecutiva, o cansaço e o desgaste físico acabam por afetar as equipas. Foi o que aconteceu, por exemplo, no jogo com o Gulpilhares. Demos tudo no jogo de sábado, onde fomos um justo vencedor frente ao Termas, o líder do campeonato, mas no dia seguinte sofremos as consequências com o Gulpilhares. Foi daqueles jogos em que um treinador se sente impotente porque era visível o cansaço dos atletas.

As duas derrotas aconteceram no final da fase regular, precisamente no segundo jogo das jornadas duplas. Numa situação normal a prestação seria outra?

Claro. Numa situação normal, em que jogamos ao sábado e temos os treinos habituais, tinha sido totalmente diferente. Mas como treinador já sabia que iria sofrer, até porque trata-se da Sanjoanense e quem nos defronta faz questão de jogar para ganhar.

Considera que a subida de divisão foi um prémio pela excelente época de uma equipa que, desde cedo, mostrou essa ambição?

Para mim foi o consagrar de um ano de muito trabalho e de muito esforço. Acho que todos merecemos a subida de divisão, e o facto de ter acontecido na primeira época tem um sabor ainda mais especial.

Fica alguma desilusão pelo facto da equipa não ter estado no grupo de apuramento de campeão quando esteve perto de o conseguir?

Fica porque tínhamos capacidades para lá estar e de lutar pelo título até ao fim, mas as coisas nem sempre correm como nós queremos.

Apesar desta época ter permitido à equipa ganhar experiência, na 2.ª Divisão a qualidade dos adversários e as exigências são maiores. Acha que a equipa tem a maturidade necessária para lá estar?

Depois de lá estar só não somos iguais aos outros se não quisermos. Tudo se resume à capacidade de assimilar o que é pedido, da dedicação, do foco para os treinos e jogos, da responsabilidade, da predisposição e compromisso que se tem perante o grupo de trabalho e o clube. Somos uma equipa jovem, empenhada e que sabe o que está a fazer dentro de campo. Quando se tem isso e se chega a uma 2.ª Divisão, se houver foco no objetivo, vontade para disputar o resultado, um grupo que entenda a mensagem do treinador e se tudo for bem assimilado e posto em prática dentro de campo não há que ter medo. É óbvio que os primeiros jogos serão a doer e provavelmente vamos ter muitos dissabores, mas vamos ganhar “anticorpos” que nos irão tornar mais fortes.

O principal objetivo desta equipa é criar atletas para integrar o plantel principal. Acha que o caminho e evolução da equipa B dão essas garantias?

Sem dúvida. Neste momento temos bons elementos que podem singrar na equipa A, assim o queiram. Se os atletas forem ambiciosos e têm vontade de lá chegar é agora que têm de o demonstrar

Com a equipa na 2.ª Divisão qual acha que deve ser o objetivo?

Se temos uma equipa forte e um objetivo que passa por lutar por determinados lugares trabalha-se para isso. É óbvio que não vamos querer descer, mas para que isso aconteça a nossa meta é ganhar jogo a jogo, até porque um objetivo assumido traz, desde logo, uma maior pressão aos jogadores.

Com a Sanjoanense com uma equipa no campeonato principal o caminho do plantel B acaba por estar reduzido à 2.ª Divisão. O facto dos clubes estarem impedidos de terem duas equipas no mesmo campeonato é, de alguma forma, desmotivante para os atletas na luta pelos lugares de topo?

Se pudermos lutar pelo primeiro lugar do grupo porque não? É um registo que fica no currículo. Só não subimos porque o clube já tem uma equipa na 1.ª Divisão. Todos ficaríamos orgulhos do nosso trabalho e era sinal de que estamos aptos para jogar na equipa principal, pois somos tão bons como os que lá estão. Não é uma desmotivação. O que está em causa é a nossa dignidade e o compromisso para com o clube. O ADN da Sanjoanense é isto.

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