O futuro está na freguesia

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Quem diria que numa eleição à partida tão desinteressante como a da Assembleia da Freguesia de S. João da Madeira se jogasse o futuro político da cidade. O nível subiu e o órgão cuja utilidade muitos questionam será disputado por dois conhecidos quadros das famílias do centrão, que poderão influenciar o tabuleiro político nos próximos anos. Tudo depende deles.

É impossível não antecipar com entusiasmo o confronto de Pedro Neves (PSD/CDS-PP) e Rodolfo Andrade (PS). São praticamente da mesma idade e, arriscaria dizer, gozam do mesmo nível de notoriedade. Têm raízes familiares e profissionais sólidas na cidade e um histórico de trabalho político, que só é mais longo no caso de Rodolfo Andrade porque, sejamos francos, o PSD nunca soube promover e tirar partido das muitas qualidades de Pedro Neves. Se o tivesse feito, em vez de apostar todo o capital numa figura, talvez a história tivesse sido outra.

Andrade praticamente cresceu na Assembleia Municipal – há 16 anos que sobe ao púlpito do deliberativo – e Neves presidiu a Assembleia de Freguesia. Pela natureza do cargo, o primeiro teve mais tempo de antena e, por conseguinte, expôs-se mais. Pelas mesmas razões, o segundo teve um exercício equilibrado e, que me lembre, sem mácula na presidência da Assembleia de Freguesia. Neves também foi deputado municipal, durante um mandato, na bancada liderada por Oliveira Bastos. Quantas histórias caberão nesta última frase? Pelos vistos, um mandato chegou.

Finalmente, pela idade dos dois candidatos, é muito fácil especular sobre aquilo que poderão vir a representar no futuro político de S. João da Madeira. Mas esse potencial é um prémio exclusivo do vencedor da eleição. Só ele terá terreno para brilhar nos próximos anos. O derrotado, a quem está reservada a aborrecida tarefa de liderar a oposição na Assembleia de Freguesia, definhará sob o tédio dessa missão. A não ser que não. Em política, nada é definitivo.

Assim, não pensei que viesse a seguir com mais interesse a eleição à freguesia do que a eleição à câmara, mas assim é. Porque, em cima de todas as razões mencionadas, está tudo em aberto na freguesia e isso só apimenta ainda mais a campanha. O menos interessante desta história é mesmo o órgão que os dois candidatos querem ganhar.

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