Quando vens ao meu encontro
para lá da ponte que leva aos restos das paredes onde vivo quando trazes contigo um resto de lume
daquela tarde incendiada da nossa ilusão
co preso aos ponteiros de um relógio em desacerto
nas horas amargas da solidão.
Ainda há nos teus olhos pequenas estrelas de magia
que levam os meus para lá do tempo
de onde regressam cegos como os teus lábios secos.
Não há palavras para me sentir perto do teu rosto
nem são oásis as falésias ou as fendas do deserto
nem são de acerto as horas do sol-posto.
O poema de outrora desnuda-se a si mesmo
dentro dos restos das paredes onde vivo.
Mesmo assim
quando trazes contigo a cinza daquela tarde incendiada co a pensar se foi ontem o amanhã…
ou se ainda há horas de verdade nas entrelinhas da secura.

Adão Cruz

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