Um final de época menos conseguido fez com que a Sanjoanense tivesse de disputar a Prova de Apuramento para lutar pela última vaga no Campeonato Andebol 1. A secção acreditou sempre na manutenção ou a descida à 2.ª Divisão chegou a ser encarada como uma possibilidade?

Durante a última época a manutenção na 1.ª Divisão foi sempre o objetivo da AD Sanjoanense e acho que era completamente merecida. No entanto, um mau final de campeonato levou-nos a disputar a liguilha, prova que encaramos sempre com o objetivo de vencer. Mas a possibilidade de regressarmos à 2.ª Divisão esteve sempre em aberto e chegamos mesmo a ponderar baixar os braços, uma vez que saímos bastante abalados, tanto ao nível operacional como financeiro, da pandemia.

Como assim? Quais foram as consequências mais diretas?

Perdemos 30% dos atletas, alguns patrocínios e não pudemos realizar o Andebolmania que, como se sabe, tem um forte contributo em termos financeiros para a secção. No entanto, conseguimos criar um grupo diretivo forte, que tem sido acompanhado por uma autêntica equipa de combate e temos aguentado e levado o projeto em frente. Sinceramente, o maior orgulho que tenho está na capacidade que a secção tem de mobilizar as pessoas. Quando é assim, não tenho duvidas que podemos fazer coisas extraordinárias.

Com essas perdas e dificuldades, foi difícil reerguer a secção, nomeadamente em termos financeiros?

Isto não foi um problema exclusivo nosso, mas de todas as equipas e das mais diversas modalidades. Houve clubes que suspenderam a atividade e outros que, simplesmente, acabaram.

A pandemia foi extremamente violenta, em termos financeiros, para os clubes. Nós tínhamos receitas previstas que não se realizaram por causa disso.

É óbvio que é uma situação que não se resolve da noite para o dia, mas, aos poucos, estamos a restabelecer a normalidade e estou confiante que até ao final da época voltaremos a estar numa situação confortável.

A Sanjoanense garantiu no último fim de semana a permanência no Andebol 1. Nesta fase decisiva a secção sentiu o apoio necessário?

Esta luta só foi possível porque os principais patrocinadores voltaram a confiar em nós, e até conseguimos mais alguns. A Câmara Municipal ajudou e tem-se mostrado sempre disponível para nos ouvir. O nosso grande pedido à autarquia, que se for concretizado tenho a certeza que impulsionará voos bem maiores, é um dormitório para atletas. Já lançamos esse repto e não nos foi negado, mas é algo que acredito que leva algum tempo a ser implementado.

Outro apoio importante passa pelo transporte. A Sanjoanense deverá ser a única equipa que chega aos jogos em viaturas ligeiras dos diretores. A situação coloca-se, não tanto pelo custo, porque os diretores já sabem ao que vêm, mas pela imagem que isso transmite, pois somos uma equipa de 1.ª Divisão.

De uma forma geral não temos grandes críticas a fazer. Aliás, só tenho a agradecer, tanto à Câmara Municipal como à Junta de Freguesia de S. João da Madeira, bem como a todos os nosso patrocinadores, pelo apoio que nos têm dado. E com isso não posso também deixar de referir a equipa de trabalho da secção de andebol, que tem sido incansável. Por exemplo, no jogo em casa da liguilha tivemos cerca de 20 voluntários que montaram e desmontaram as bancadas, fizeram o controlo das bilheteiras, promoveram o jogo nas redes sociais e fizeram a transmissão da partida com comentários.

Com a manutenção assegurada a Sanjoanense recebe no próximo sábado o Póvoa AC na jornada inaugural do Campeonato Andebol 1. Quais as expetativas?

Na época passada regressamos à 1.ª Divisão 31 anos depois e agora conseguimos, de forma inédita, a segunda presença consecutiva no principal escalão nacional da modalidade. Acho que a equipa está mais forte e experiente e vamos abordar todos os jogos com o objetivo de vencer.

A equipa está bem, a moral é alta e a confiança é muita e acho que podemos ser uma boa surpresa neste campeonato.

Mas temos de ter consciência de que o sucesso em cada modalidade tem um custo operacional diferente e, neste caso, estamos a falar na segunda modalidade mais popular na Europa.

À semelhança do jogo da primeira mão da Prova de Apuramento, será uma partida aberta ao público e com bilheteira.

O valor do ingresso é quase simbólico, mas para nós é de extrema importância, pelo que apelo às pessoas para que no próximo sábado, às 18h00, marquem presença no Pavilhão das Travessas para apoiar a equipa.

Com a equipa a disputar a 1.ª Divisão pela segunda época consecutiva, o objetivo passa pela manutenção ou a meta é mais ambiciosa?

O objetivo passa por conseguir a manutenção o mais cedo possível.

Este ano a secção pretende aumentar a sua base de atletas. Nesse sentido, fica o convite para que os pais tragam os seus filhos para experimentarem a modalidade, que pode ser feito todos os dias, a partir das 18h00, no Pavilhão das Travessas.

É também objetivo da secção recolocar a formação feminina no patamar onde estava nos últimos anos.

Há também uma boa notícia para a cidade, pois podemos avançar que o Andebolmania vai regressar, mas com duas edições, uma na Páscoa e outra na altura do verão. Temos noção da agitação que este torneio traz a S. João da Madeira e os montantes que movimenta no setor da restauração e comércio. Há tempos fizemos um estudo de mercado que avaliou o impacto do Andebolmania na cidade em 500.000 euros. Este ano vamos trabalhar o dobro porque necessitamos “sacudir” os efeitos da pandemia e renascer e espero que os comerciantes reconheçam esse trabalho que fazemos.

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