19 de setembro de 2021 fica marcado na história da Academia de Música de S. João da Madeira (AMSJM) como o dia do regresso dos concertos em grupo com público.
Adiado consecutivamente pelas limitações impostas pela pandemia, este regresso aconteceu com a estreia da Sinfonietta, orquestra sinfónica composta por professores, alunos e ex-alunos da AMSJM, na Casa da Criatividade, num concerto comentado. E isto, depois de um convite feito pela edilidade à direção da instituição, que a diretora pedagógica, Joana Raposo, estava à espera de poder cumprir desde setembro de 2020.
Sob a batuta do maestro Nuno Choupeiro, e com comentários do compositor José Luís Postiga, ambos professores nesta escola de Ensino Artístico Especializado da Música, a Sinfonietta levou ao palco deste espaço cultural um concerto cujo programa procurou ser agregador de diferentes estilos musicais sinfónicos e ser capaz de despertar a memória de públicos de todas as idades, que preencheram a lotação na plateia da sala, refere nota informativa remetida ao labor.
Durante cerca de 90 minutos, a orquestra apresentou um espetáculo dividido em quatro temáticas chave: a herança dos temas sinfónicos; as diferentes facetas da música no contexto educativo; a música para filme; o cinema de animação e a divulgação dos clássicos musicais.
Teve início com a abertura Génesis, do norte americano Galante, seguindo-se as atuações, intercaladas com o comentário a cada uma das obras, estimulando a memória de 12 dos temas de algumas das principais sinfonias dos últimos anos, de Beethoven a Mahler, sem esquecer Schubert ou Brahms.
Depois de uma secção mais introspetiva sobre o processo educativo transformado em obra musical, destacando o comentário à indução programática das ideias formais, melódicas e harmónicas usadas pelos compositores, seguiu-se uma abordagem à música sinfónica para filmes, do mais recente “Hobbit”, com música de Howard Shore, na execução de uma suite sinfónica que relembra as principais ‘imagens’ sonoras do universo de Tolkien, ao medley de Westerns de arranjo de Ralph Ford, que trouxe de volta a música dos “Sete Magníficos” e o épico tema de Ennio Morricone, para sempre associado ao Farwest norte americano em “O Bom, o Mau e o Vilão”.
O concerto não terminaria sem propor a referência à sonoridade de “Polar Express”, em cuja música Alan Silvestri e Glen Ballard transportam o universo sonoro do cinema de animação, neste caso natalício, para depois fechar com uma ‘luta’ sinfónica entre Bugs Bunny e Porky Pig sobre referências musicais clássicas, que começaram em “William Tell” de Gioachino Rossini e culminaram na “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner, não sem que os efeitos sonoros tão característicos, ou o tema de Looney Tunes, fossem introduzidos no arranjo de Jerry Brubacker.
“Do encore, insistente pedido pelo público, apenas resta uma observação: este regresso do passado exige necessariamente um futuro consistente. Esperamos que seja próximo!”, sublinha a direção da ACSJM.

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