A minha coluna

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AFINAL DE CONTAS…

A “bomba” dos últimos dias foi a fuga do Rendeiro. O banqueiro dos ricos. Dos “privados”. E
este esclarecimento é importante porque um amigo pensava que era o Rendeiro que jogou hóquei e que foi o “Ronaldo” dos patins quando éramos putos. Não. Foi o banqueiro. Portanto o senhor, com várias condenações no bucho, ia habituando os juízes de que ia ali e vinha já e os doutos senhores doutores, que estão sempre isentos de culpas como disse o sindicalista que os defende – “…a culpa é das leis, a culpa é do governo, a culpa é…” – e que nalguns casos até mandam prender para investigar ou que por qualquer coisita mandam prender um cristão, acreditaram. E provavelmente bem… Só que o Rendeiro foi-se mesmo. Num país em que estamos habituados a dizer que os políticos é que são estes e aqueles – e no meio de tantos sempre alguns haverá – foram dados exemplos de quem se apresentou, ou não, para cumprir pena. E os nomes dos que se apresentaram à justiça e se entregaram à prisão para cumprir as penas a que foram condenados eram só de políticos: Armando Vara, Duarte Lima e Isaltino Morais. Quanto aos que fugiram para as não cumprir eram padres (O Frederico da Madeira), banqueiros (este…) empresários (Vale e Azevedo) ou gestores de capitais (Pedro Caldeira). Fátima Felgueiras também foi para o Brasil antes de ser detida preventivamente – e não para cumprir qualquer pena – mas acabaria depois absolvida. Os que andam sempre a dizer mal dos políticos – ou dos que em determinado momento o foram… – porque acham que os que não são políticos são todos santos e nunca o fizeram fora do penico, têm aqui matéria para refletir. O Rendeiro é que foi preparando a coisa à socapa e de um dia para o outro… Agora é quem mais corre atrás do prejuízo… E parece que se há alguém que não tem culpa nenhuma são os juízes desses processos…

Balha-me Deus!

ORDEM NAS ORDENS

Nas últimas horas anda aí um alvoroço por causa das ordens profissionais. Até os meus gatos (são dois) se interessaram pela matéria e já dei com eles a miar em conjunto debatendo o que de mal tem o projeto que a AR vai discutir para reduzir o poder das ordens profissionais. Sim. Porque não há nenhum projeto de lei ou decisão de quem tem, a cada momento, a responsabilidade de governar que não tenha coisas ”de mal”. Ou erradas. Com o andar dos tempos eu já concluí que quem sabe de cada matéria é quem não tem poder de decidir sobre a matéria. Como aqueles adeptos que constituíam o “tribunal”, na bancada lateral sul do estádio da Sanjoanense, que sabiam sempre mais que o treinador e jogariam melhor que os onze que estavam em campo.
Essa especialidade no futebol perdeu importância e hoje está nos telejornais e nos noticiários. A gente elege uma catrefada de deputados para fazer as leis e um governo para as aplicar. E quem sabe dos diversos assuntos? Quem não está lá. Nem num lado nem noutro. A questão é: as ordens profissionais têm demasiado poder? Têm. Eu acho. Eu e mais não sei quantos. A dos médicos só deixa ir para médico quem eles entendem quantos entendem. Porque apesar de se queixarem que há falta de médicos acham que não convém que existam mais médicos porque o aumento da oferta baixa o preço. A dos advogados acha que 18 meses é o mínimo que um estagiário deve trabalhar de borla nos seus gabinetes para poder exercer a profissão porque, se passar a ter de o fazer durante 12 meses…alguém vai ter de pagar. A dos técnicos oficiais de contas ganha fortunas a exigir que os milhares de associados façam uma série de cursos por ano para melhorar conhecimentos pagando algumas dezenas de euros por cada um, em benefício do fortalecimento bancário da dita. Querem acabar com isso. E a dos…? Todas dizem o mesmo. Retirar privilégios e poder às ordens? Igualá-las às dos outros países europeus? Isso é que era bom. Essas coisas da Europa só interessam quando nos dão jeito. Desafio quem ainda tem a paciência de ler o que escrevo que esteja atento às notícias das rádios nacionais e das televisões. Sai uma notícia a dizer que um estudo de um grupo de técnicos sugere ao Governo alargar o ensino às crianças a partir dos 3 anos. Normalmente são uns tipos que sabem da matéria e que a discutem durante meses.
No fim apresentam um estudo, umas sugestões, a notícia sai e o que vem a seguir? Uma fila de gente que, sem ler as sugestões e só com base num título da notícia começa logo a desancar, a dizer que os tipos não sabem nada, que eles é que sabem, que o melhor até era aumentar os apoios públicos (dinheiro, normalmente…), que os diversos governos nunca fizeram o que eles diziam, que faltam profissionais, que ganham pouco… Enfim. Como já tenho dito e quem me conhece sabe que penso, não há pachorra para ouvir as dezenas de especialistas que estão sempre contra tudo… Menos ao aumento dos apoios… Agora são os que estão contra a ordem nas ordens…

Balha-me Deus!

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