Na nossa alma se geram, oh que ideias pantanosas!

Mas também se criam nela quantas culturas de flores!

E na nossa mente ainda, quantas ânsias revoltosas,

Ainda assim terras humosas, onde germinam os amores…

 

Onde colocar então a poesia, dependente

De origens bem reais e de outras virtuais?

A pura consequência do oposto inconsequente,

Efeitos de um animismo em pessoas tão banais.

 

Onde depor e a que pés, este, estro, este cio,

As intenções que se geram, quando chega a nossa vez?

E se alguma vez chegar, espraiará em desafio

Essa vontade do belo fazer o que não se fez?

 

Poesia! Está jacente, na forma rudimentar,

Repousa entre conflitos vai ganhando viço, o fogo,

Que brota rápido ou lento do látego a fustigar,

Passa a raio fulminante que pode esvair-se logo!

 

Mas será esta a poesia própria dos nossos sentidos,

A que fulmina de um jato como em lutas intestinas.

Que vem de ideias e de atos que andariam perdidos,

Do coração e da alma, transitórias, peregrinas?

 

Algumas virão da alma que é meiga e deliciosa

A mais comum virá dela, é espontânea, mais melódica,

Mas quando o cérebro reage, é como trovão, rajada,

Que tudo arrasta e leva e deixou de ser metódica.

Flores Santos Leite

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