A minha coluna

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PROMESSAS SÃO PARA CUMPRIR

Quando ia começar a escrever sobre o assunto principal deste texto – bicicletas e ciclovia… – lembrei-me, assim de repente, de uma anedota com barbas e que não resisto a contar até porque, apesar da tecnologia e redes sociais, pode ser que ainda tenha piada. Mas AVISO: Esta anedota pode hoje ser considerada politicamente incorreta. E é até mais por isso que me diverte contá-la.
Se para algum dos leitores o aviso anterior for relevante, sugiro que passe ao texto seguinte. Para os que continuam a ler, aqui vai: Em localização não especificada havia um convento de religiosas na vizinhança de uma fábrica de bicicletas. A religiosidade do empresário, num ano em que os resultados foram muito positivos mesmo sem o senhor conhecer aqueles termos de gestão como o EBITDA (se recebia mais do que gastava, já era bom…) decidiu oferecer umas bicicletas para as religiosas poderem fazer uns passeios nos vastos terrenos pertencentes ao convento. O problema é que havia mais religiosas que bicicletas e, com frequência excessiva, a madre superiora começou a perceber que a gritaria aumentava porque todas queriam pedalar ao mesmo tempo. Como este comportamento não se coadunava com os votos de sossego que tinham feito à entrada do retiro, a madre superiora não terá tido outro remédio senão ameaçá-las: “Se continuarem com esta gritaria mando voltar a pôr os selins nas bicicletas…”. Foi remédio santo embora este termo “santo” não tenha aqui grande cabimento. Mas acabou com a gritaria e o sossego voltou ao convento. Não teve piada, pois não? Exato. Como também acho que não tem piada nenhuma que os ciclistas de Lisboa se andem agora a manifestar contra o novo Presidente, o Moedas, só porque ele vai cumprir a promessa de acabar com vários quilómetros de ciclovias na cidade. No seu entender – e talvez num momento em que não pensava ganhar… – as ciclovias estariam mal feitas e prejudicavam o trânsito automóvel. Mas o certo é que, bem ou mal o senhor prometeu. E se prometeu, tem de cumprir. Talvez os que agora se queixam nem tenham ido votar. Por isso não têm nada que se queixar. Nem xus nem mus. Aliás, se fosse eu a mandar, só se podia queixar contra quem manda quem tivesse ido votar. No momento do voto o eleitor deveria receber um cartão que lhe permitisse, depois, ir a manifestações e coisas assim. Quem não tivesse esse cartão não podia ir. Mais ou menos como o certificado do covide. Não seria uma medida educativa?

Balha-me Deus!

O CHEIRO ANDA NO AR

E por falar em Moedas. Quando o meu gato, nos tempos da troika, caminhava de rabo levantado, deixava à vista uma sinalização escura do tipo de moeda de 5 cêntimos. Por brincadeira e relacionando-o com o nome de um moço que começou então a parecer ao lado do célebre Vítor Gaspar, durante um tempo passei a chamar ao meu gato “o moeda”. No singular, porque só apresentava uma mancha. Estávamos então longe de imaginar que o moço chegaria a deputado europeu, a administrador da Gulbenkian e, agora, a Presidente da Câmara de Lisboa. Tem sido um percurso digno de nota e, reconheça-se, de mérito. Mas adiante. Agora vamos aos trocos. E isso a propósito do Rangel que agora decidiu que era hora de tentar tomar o lugar do Rio. Nada que o meu gato não tivesse já dado sinais de saber porque sempre demonstrou uma curiosidade muito grande pelas imagens do Paulo a caminhar. Assim tipo pato. E o meu gato, que até prefere beber água no lago porque lhe deve saber a peixe tem, digamos assim, um apuradíssimo sexto sentido quando vê alguém com um andar à pato, com os pés abertos e meio a arrastar e fica sempre desconfiado. Não sei o que sente ao ver alguém a caminhar assim, mas acho que lhe deve fazer lembrar a bicharada que conheceu no parque da cidade quando lá o levei numa visita de estudo. Sim, porque o meu gato pode (ainda) não saber ler, mas que lê bem os sinais, lá isso lê. Pois o Rangel, com a perspicácia que é justo reconhecer-lhe e certamente com uma pituitária eficaz, entende que o “cheiro a poder” está no ar, com milhões por aí para distribuir melhor e porque, quando toca a dinheiro, quem o sabe distribuir bem somos nós e não os outros… Num dia avança com a candidatura. No outro, mesmo sem ainda ser líder do que quer que seja, diz que vai ganhar as legislativas (quando as houver). E no terceiro até diz que vai ter maioria absoluta. Reconheça-se que, para 3 dias, é obra. Como gosto mais do Rui Rio do que do Paulinho, principalmente porque o Rui, com todos os defeitos, até já foi presidente de Câmara (também sem contar…) e fez obra, vou combinar com o meu gato uma estratégia para fazer com que o Rui continue a liderar o partido. Caramba! O homem passou um mau bocado, não tem ganho nada de relevante, mas nas autárquicas sempre perdeu por menos. E o Rangel? Que me lembre nunca ganhou nada onde pudesse demonstrar capacidade de gestão e decisão. E talvez seja até por isso que o meu gato fica desconfiado ao vê-lo. Não deve ser por andar “à pato”.

Balha-me Deus!

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