A minha coluna

0
64

O VERDADEIRO ARTISTA…

Eu acho que dava um filme. E quem sabe se não vai dar, agora que a Netflix está disponível para financiar séries nacionais. O tipo foi um “malandreco do carachas” como dizia a minha tia Emília que era ali dos lados da serra. Não sei o que fazia antes, mas, vai-não-vai, de repente aparece à frente de um banco, privado, a tratar de gerir fortunas de sujeitos que, como sempre acontece com quem tem fortunas, queriam com elas ganhar muito mais do que os bancos tradicionais davam por um depósito a prazo de mil euros a um ano. Vai daí, enquanto os donos das fortunas iam recebendo algum, o tipo ia tratando de ficar com o que não era dele, guardando-o naqueles sítios a que chamam offshores mas que mais acertadamente, neste caso, talvez se devessem chamar offchoras. Ao mesmo tempo o tipo ia comprando obras de arte que também valiam fortunas, com o dinheiro do banco que não era dele – o dinheiro – e quando a coisa estoirou os inteligentes dos juízes ou lá quem foi decidiram que a pessoa mais indicada para tomar conta das obras de arte e garantir que estavam protegidas era, sabem quem? A mulher do tipo.
Foi de facto, uma decisão inteligente como se veio a provar. Depois, o tipo resolve fugir do país porque os juízes ou lá quem foi entendiam que o sujeito não era perigoso e não fugia, até porque ele ia lá fora muitas vezes e voltava sempre. Portanto, se ele ia e vinha, é porque não queria lá ficar. Só que um dia ele foi, sem ninguém saber, e por lá ficou muito embora, até hoje, ninguém saiba muito bem onde fica esse “lá” onde ele ficou… O que é estranho porque temos umas polícias conceituadas internacionalmente, a começar pelo SEF, e não se percebe muito bem como não sabem para onde o tipo foi. Mas o importante é que as obras estavam guardadas na tal casa da quinta XPTO com a mulher do tipo a continuar a guardá-las mesmo depois do tipo ter fugido, o que só conta a seu favor porque podia muito bem ter levado a mulher com ele e deixar lá o cão a tomar conta do espólio. Mas não. Se os juízes ou lá quem foi decidiram que deveria ser a mulher dele, o tipo respeitou a decisão, o que só lhe fica bem, e foi-se sozinho. Estranhamente uma juíza, ou lá quem foi, resolveu certificar-se se as obras ainda lá estavam e mandou ver. Afinal faltavam algumas e outras eram pelos vistos, falsas. Até pode ser que já fossem falsas quando o tipo as comprou, mas, só para chatear, uma juíza ou lá quem foi decidiu ouvir a senhora que, coitada, só chorava porque não sabe onde anda o marido. Vai daí, agora a tal juíza ou lá quem foi até decidiu deter a senhora como se ela tivesse feito alguma coisa de grave. Então, vejamos: O tipo é que terá desviado fortunas de outrem, é que terá usado algumas para comprar obras de arte, é que terá mandado falsificar quadros vendendo, alegadamente, os originais e ficando com o dinheiro, é que terá fugido do País claramente “nas barbas” dos especialistas dos tribunais e das polícias indo para onde ainda ninguém sabe, é que fez uma nova procuração aos advogados quando já até ninguém sabe onde está e agora, depois disto tudo, a pobre mulher é que é detida? Mas ela não tem culpa se o
tipo, pela calada da noite, lhe trocava os quadros da parede. Sim. Porque a casa é tão grande que ela não podia estar em todos os compartimentos ao mesmo tempo. Que culpa tem, afinal, a pobre mulher?
“Pobre” não é bem o termo, mas, claro, a coitada da senhora? Razão tinha o meu gato que há muito faz uns ruídos estranhos, tipo “ronco contínuo” quando vê na televisão a imagem do tipo, de óculos e sobretudo escuro, com a mão direita a mexer no bolso de forma estranha como aqueles tarados que aparecem no escuro às senhoras e sem roupa por baixo do sobretudo: A imagem tem, de facto, o seu quê de suspeito, o seu quê de quem está a precisar de ir à casa de banho. O raio do bicho nem faz ideia dos montantes envolvidos na alegada fraude. Agora que ele não gosta dessa imagem, não gosta mesmo.
Nem sabe ainda que, agora, prenderam a senhora. Até estou com receio de o deixar ver o telejornal. O que pensará o meu gato da justiça portuguesa quando souber que a mulher do tipo, que não fez nada de especial, é que foi detida e ao tipo o deixaram fugir?

Balha-me Deus!

ENGALFINHADOS

E por falar no meu gato. Nos últimos dias o bicho anda zangado. Ele não consegue ainda explicar-se bem, mas acho que tem a ver com o facto dos tipos do PSD e os do CDS andarem engalfinhados uns com os outros. E, pior, uns contra os outros. De vez em quando os gatos dos vizinhos, apesar de terem uma relação ótima com o meu gato – o que os leva muitas vezes a apanharem sol juntos ou até a comerem da mesma gamela… – fazem um estardalhaço esganiçado que já me levou, uma vez ou outra, a mandar-lhes com um balde de água fria à falta de um chapo de óleo queimado. Em algumas dessas quezílias animais a razão imediata era que a gamela estava quase vazia e o meu gato, por segurança alimentar e de sobrevivência, impedia-os de lhe chegarem perto. Era aí que eu tinha de intervir, qual presidente da república animal, em defesa do meu gato. É por essa analogia que eu acho ter encontrado a razão do meu gato andar zangado neste dias mais recentes. Já lhe tentei explicar que a gamela não é a dele e que os senhores em causa não são gatos… Mas vá lá convencê-lo. A barulheira que fazem é similar à que os gatos dos vizinhos fazem quando lhe querem tirar a gamela e, acho, deve ser essa a razão da sua zanga. Como é que o hei-de sossegar?

Balha-me Deus!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...