A minha coluna

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É preciso ter azar…

Apesar de ser já uma figura do folclore nacional, o nome pode nem dizer muito à maioria esmagadora dos cidadãos. Mas, quando nos aparece nas notícias, normalmente não é por coisa boa. E digo “normalmente” porque, desta vez, o sujeito teve mesmo azar. Aquilo a que se pode chamar um azar do caraças!
Pois estava o sujeito em casa, descansadinho da vida, provavelmente a beber umas bejecas e a ver um combate de boxe na televisão quando lhe batem à porta…. Era gente com quem terá também uma relação institucional de muitos anos – a PJ – mas que, quando aparecem, normalmente só arranjam problemas. Pelo menos acho que foi isso que o sujeito terá pensado ao abrir a porta. Mas não. Eles só queriam falar com o sujeito por causa de um inofensivo post ou lá o que é que o mesmo tinha colocado nas redes sociais – ou lá o que é… – há uns largos meses. Uma coisita sem importância que, conforme confirmaria o seu advogado, nem falava na cor da pele de ninguém – o que não será muito comum ao tal sujeito – e com o qual ele só pretenderia ajudar a polícia a prender um suposto criminoso. Nada de especial. Até o meu gato ficou surpreendido pelo facto daquela polícia perder tempo a ir a casa do sujeito para falar com ele sobre o assunto tão inofensivo. Mas, enquanto a conversa puxava conversa, um dos polícias reparou que o sujeito tinha lá um revólver do qual não tinha documentos. Um utensílio ilegal, portanto. Vai daí os polícias entenderam que aquilo era um flagrante delito e levaram o sujeito detido. Tudo dentro da normalidade até porque o sujeito já conhece a casa para onde o levaram. No entender do advogado aquilo era coisa pouca até porque o sujeito só tinha tido uns problemazitos com a justiça há uns anos atrás. De acordo com o que dizem os jornais (DN), o sujeito apenas tinha sido condenado a 4 anos e 3 meses de prisão em 1995, a 10 meses em 2007 (também por causa de um utensílio idêntico sem papéis), a 4 anos e 10 meses em 2008, e a 7 anos e 2 meses em 2009 (aqui por alegado sequestro, roubo e coação). Como tudo isto junto eram anos a mais o tribunal, aquela gente boa e santa de um certo tribunal, resolveu juntar tudo e tratar do assunto em 10 anos. Estávamos no ano santo de 2012. Em 2016 lá veio outra vez o tribunal dar-lhe mais 2 anos e 9 meses por tentativa de extorsão agravada, seja lá isso o que for. Tudo um somatório de azares na vida de um sujeito que, com estes contratempos, nem oportunidade teve para procurar emprego. Teve a sorte, sim, de o libertarem em maio de 2017 e decidiu emigrar temporariamente. Para a Suécia. Mas não é que o azar, quando aparece a um sujeito, acaba por o perseguir? É que, lá naquela terra tão fria, o sujeito acabou outra vez preso, agora pela polícia de lá só porque ele andava a fazer umas manifes com os da extrema-direita de lá, rapaziada também simples e pacata como ele. Acabou por ser libertado – e ainda bem – até porque teria uns assuntos a tratar em Lisboa com uns tipos que andam de blusão de cabedal e umas motas grandalhonas a fazer um barulho, também ele, do caraças. Acabaram à pancada, mas era tudo na brincadeira. O problema é que, está-se mesmo a ver, em Portugal não se pode brincar. Por qualquer coisita lá vai a PJ e os tribunais, e os juízes e não sei mais quem. Afinal o sujeito só tinha uma pistolita em casa – é certo que sem papéis – mas, e depois? Já agora lá por ter machado no nome significa que seja perigoso?

Balha-me Deus!

Onde é que já vi isto?

Quem tem paciência para ler estas crónicas até ao fim sabe como eu gosto de ouvir os comentadores das televisões. Júdice incluído. E foi por ele que soube, ontem, que o novo presidente da Câmara da Moita encontrou um gabinete sem computadores e sem qualquer registo de correspondência eletrónica. Foi uma passagem de testemunho em que o testemunho terá sido ZERO! É claro que o pessoal que saiu e que liderou a autarquia nos últimos quarenta e tal anos, tinha razões para não ficar satisfeito com a escolha do Povo. Um Povo que foi sempre bem tratado, se é que o foi, não deveria ter escolhido outros, sejam eles quem forem. Daí que tenhamos que ter alguma compreensão pela zanga do ex-presidente e pela sua decisão de levar tudo com ele. Bem feito. Ai queres a câmara? Toma. Mas não te deixo os mails nem os computadores. E já agora nem, os endereços eletrónicos. Trabalha. Ou pensavas que estivemos aqui quase cinquenta anos para vires agora tu e beneficiar dos nossos arquivos? Isso é que era bom…. Terão sido estes, mais ou menos, os pensamentos do pessoal da CDU na Moita.
Nada que não tenhamos já visto. Há uns anos atrás, na concelhia local de um partido político, também o presidente que foi saiu levou os mails, os endereços e os arquivos eletrónicos. Não levou os computadores porque não existiam. Mas neste caso até era menos compreensível.
Afinal era só uma concelhia de um partido. Agora numa câmara? Levar tudo? Quem é que não é capaz de compreender?

Balha-me Deus!

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