A minha coluna

0
56

O LIT(ÍG)IO AMBIENTAL

A defesa do ambiente é, hoje, a razão de todas as coisas. E bem. Também faço o possível por contribuir para que o planeta não fique destruído por minha culpa muito embora – e desculpem se não for politicamente correto – não aceite que me proíbam de utilizar o carvão para fazer um churrasquinho de vez em quando. Nem pensem! É que, se o fizerem, juro que começo a produzir carvão, até porque sou do tempo em que no secundário essa era uma matéria de aprendizagem.  Fazem-se umas pilhas de madeira e mais umas certas operações e passados uns dias… temos carvão. Nas reportagens televisivas sobre a cimeira do clima percebemos que na Índia essa atividade ainda ocupa milhares de pessoas, para quem produzir carvão é a única forma de conseguirem sustento para não morrer à fome. Um dos empresários indianos do setor até dizia para a repórter: “Então se eu parar vão dar-me dinheiro para eu sobreviver?” – É claro que não. Tentarão outras soluções, mas dinheiro… O coitado do senhor até fazia lembrar um pedinchão dos de cá que pedincham e exigem tudo por nada… Mas não. A situação é-lhes complicada. Portanto, meus senhores, façam lá o que quiserem com a China, a Índia e os outros países que produzem 80% do carvão no mundo porque eu, cidadão da Europa que pouco carvão produz, recusarei submeter-me a essa nova ditadura que no limite me tenta impedir de grelhar um robalo à maneira! Mas isto tudo porquê? Por causa do ambiente. E do lítio. Sim, porque o lítio, mineral que só ficou conhecido do cidadão comum depois de aparecerem os carros elétricos, pelos vistos existe em apreciáveis quantidades no “nosso Portugal”, como dizia há dias um conhecido comentador, que terá uma das maiores reservas de lítio do mundo. Pois bem. Os que defendem a diminuição da poluição, designadamente a eliminação progressiva dos gases poluentes produzidos pelos motores de combustão, defendem a utilização massiva dos veículos elétricos. Portanto, daqueles veículos que se carregam numa tomada e que nem fazem barulho. É como dois em um. Menos poluição e menos barulho. Só que para esses veículos são necessárias baterias fabricadas com quê? Lítio. Logo será necessário ir buscar o lítio debaixo do solo, debaixo de terra, fazendo para isso uns túneis de acesso a que se costuma chamar minas. E, vistas bem as coisas, dizem que o lítio pode ser uma “mina” para o país, tendo em conta a sua abundância por cá. Mas há um problema.  Os mesmos que defendem os motores elétricos a funcionar com baterias de lítio estão contra a exploração do lítio porque prejudica o ambiente. Portanto, regressamos ao princípio. Para defender o ambiente são precisos menos poluidores e mais “amigos do…”. Mas os “amigos do…” precisam de lítio. Só que a exploração do lítio não é “amiga do…”. Portanto…

Balha-me Deus!

UM DILEMA

No momento em que escrevo e porque não tinha grande coisa a dizer, uma notícia salvou-me a crónica que estou obrigado, por contrato, a fazer. A utilização de “bodycams” pelos polícias foi aprovada pelos deputados. Portanto, a partir de agora vai ser possível ver a gravação daquelas cenas tipo americanas em que um polícia obriga o condutor a sair do carro de mãos no ar ou em que um cidadão com défice de cidadania resolve insultar ou agredir o agente da autoridade. Ou até ver as mãos do agente com a pistola e, quem sabe, a dar um tiro. Nunca se sabe. Se vai ser gravado tudo pode acontecer. Pode? Não, não pode. E por duas razões sequenciais. A primeira é que a câmara de filmar vai estar sempre desligada e só em “certas e determinadas situações” – como dizia um antigo colega de trabalho quando queria explicar o que não sabia… – é que o filme será feito. E quando? Pois aí é que está a questão central. Antes de começar a gravar o agente da autoridade tem de avisar os potenciais prevaricadores, com voz alta e de forma percetível, que vai dar início à gravação. Querem um exemplo? Imaginem que um agente da autoridade, com a sua “bodycam” e a pistola de serviço, dá de caras com um potencial criminoso que se lhe dirige com uma arma, branca ou não, quiçá para o ferir. O que deve fazer o agente? Puxar da pistola para se defender ou gritar “atenção que vou começar a gravar…” e depois “ação”? Ou deve primeiro puxar da pistola, dar um tiro de aviso para o ar para assustar o sujeito?  Se fizer o aviso – e pressupondo que o potencial criminoso percebe português – corre o risco de o sujeito deitar fora a arma ou fugir e, quando começar a gravar, nunca se perceberá pelo filme se a arma era dele ou já estava no chão quando ao agente chegou. Nessa altura a arma de pouco servirá. Se puxar da arma e, por azar, o tiro for para o ar e voltar para baixo para, digamos, uma perna do sujeito, quando começar a gravar já não se vê ação nenhuma. Só a consequência. É por isso que aos agentes da PSP acabou de ser criado um dilema. O agente não poderia acionar a câmara sem ter que dizer nada quando se defrontar com uma cena de potencial crime? Isso é que seria dar utilidade às “bodycams”. Até o meu gato se começou a rir quando ouviu esta notícia, mostrando aqueles dois dentes “à Drácula” que tem nas laterais do focinho e que o tornam muito especial.

Balha-me Deus!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...