Outono à beira do mar

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O sol era de ouro, como jóia no Céu azul do infinito.

Longos cordões de gaivotas serenamente pousadas na areia bordavam a praia junto à água, adorando o sol e namorando o mar.

A tarde ia caindo silenciosamente no sorriso branco da espuma aberta ao longo da praia. E a lua, num ténue esfumado cinzento, como mancha de prata no lado oposto do céu, desafiava atrevidamente o sol, prestes a esconder-se atrás da linha do horizonte. Para lá das ondas, muitos pontos negros emergiam e desapareciam nas águas até que as pranchas encimassem as cristas e em ziguezague deslizassem velozmente até à praia.

Surfistas, banhistas de Outono ou apenas gente em sonolenta delícia,  sentada nas esplanadas, despediam-se dos últimos resquícios doVerão. Aos meus ouvidos, trazida por uma leve brisa, soava amúsica “sounds of silence”, à mistura com falas de várias línguas vindas do bar.

O Outono no mar não tem folhas amarelecidas nem vermelhas nem púrpura, nem tem flores de Primavera. Tem apenas tons de verde e azul franjados de branco sobre uma imensa toalha de serenidade ou discreta revolta sem o compasso do tempo. Ao contrário da estreiteza dos campos nas faldas das serras, o Outono tem a imensa planura das águas, a grandeza dos longes, o fascínio do desconhecido que está para lá do horizonte. E talvez o fundo do mar seja um jardim onde a natureza esconde um mundo de cores.

Por isso, ao longo dos tempos, muitos artistas se foram perdendo nos encantos do mar de Outono. Bem o disse Thomas Mann: “À beira destes mares vivi profundamente” referindo-se ao Mar do Norte, terra de dunas, vento e mar, terra de poetas e pintores.

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