“Tinha de ir buscar as bobines com os filmes à estação porque vinham de comboio”, contou Luís Ferreira ao labor

 

O majestoso Cine-Teatro Imperador abriu portas no ano de 1958 em S. João da Madeira. Passados 20 anos, em 1978, Luís Manuel Almeida Ferreira começa lá a trabalhar como bengaleiro, passando, posteriormente, a levar as pessoas ao lugar e a rasgar os bilhetes.

De um dia para o outro, o projecionista abandonou a profissão e Luís Ferreira entrou literalmente em ação. Na sala de projeção estava um filme à espera de ser montado e projetado para uma sala cheia. “Eu aproveitei a oportunidade de tentar trabalhar com a máquina e correu tudo bem”, recordou aquele que veio a ser o último projecionista do Cinema Imperador. Tudo o que aprendeu foi sozinho. “Ninguém me ensinou nada”, garantiu Luís Ferreira que conciliava a profissão de carpinteiro à semana com a de projecionista ao fim de semana.

O Cinema Imperador exibia um filme pornográfico às sextas-feiras, dois filmes de ação ao sábado e um filme romântico ao domingo. Dos muitos filmes que viu, destacou o Titanic. “É um bom filme e foi visto por muita gente. Lembro-me de passar esse filme durante uma semana ou mais. As pessoas gostaram”, afirmou o antigo projecionista, revelando que tinham “quase sempre sala cheia” e que quando assim era “dava mais vontade e gosto de trabalhar com a máquina”. Máquina essa que hoje se encontra em exibição na Casa da Criatividade que outrora foi o Cine-Teatro Imperador.

Naquele tempo “mandavam-nos os cartazes dos filmes e escolhíamos. Eu tinha de ir buscar as bobines com os filmes à estação porque vinham de comboio. Umas vinham de Lisboa, outras do Porto. Depois eram devolvidas”, contou Luís Ferreira ao labor.

 

 

Obrigado pelo seu interesse no trabalho dos nossos profissionais. Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa ou no formato digital. Assine o labor aqui.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...